Engenho Jesus Maria José

Engenho Jesus Maria José

Laranjeiras, Sergipe, Brasil

Habitação

Do antigo engenho, resta apenas a capela construída em 1769. Isolada em meio ao canavial, destaca‐se devido às suas proporções imponentes e por estar implantada em uma cota mais elevada do sítio. Encontra‐se em ruína e totalmente cercada por densa vegetação, encobrindo grande parte das fachadas. Internamente, a capela está desprovida de todo o seu acervo, que contava com diversos elementos trabalhados em talha: dois pequenos altares laterais, púlpito, arco‐cruzeiro e altar‐mor. A capela possuía forro debitado ao pintor baiano José Teófilo de Jesus, executado, provavelmente, na década de 1840, tendo por tema a Sagrada Família. Hoje permanecem apenas as alvenarias, que ainda registam a imponência desta capela. Sua fachada principal está delimitada por duas torres que têm terminação em bulbo com revestimento em azulejos. Possui uma única porta de acesso com ornamentação acima da sobreverga e cinco janelas ao nível do coro, providas de ornamentos nas cercaduras. Uma cimalha delimita o corpo da fachada, encimada por frontão arrematado com volutas e um pequeno óculo no tímpano. Internamente, sua planta repete a distribuição espacial comum a outras capelas de engenho de Sergipe. A nave é cercada por corredores laterais que fazem a ligação entre as torres e as duas sacristias existentes nas laterais da capela‐mor. No pavimento térreo, estes corredores laterais abrem‐se para o exterior, através de três arcadas que se encontram, atualmente, parcialmente vedadas. Através do segundo pavimento, se tem acesso às tribunas e ao coro. Na nave, restam os registos do coro, das tribunas e de um púlpito ao lado da Epístola. Próximo ao arco‐cruzeiro, incrustados nas paredes laterais da nave, havia dois altares. Na capela‐mor, hoje vazia, chama a atenção uma grande janela que se comunica com a sacristia ao lado do Evangelho, a qual, provavelmente, era vedada por uma treliça, para resguardar membros da família do proprietário do engenho que dali assistiam ao culto. Por seu valor histórico e arquitetónico, esta capela foi classificada pelo IPHAN em 1943, incluindo todo o seu acervo, hoje inexistente.

Maria Berthilde Moura Filha

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