Igreja do Convento de Nossa Senhora do Carmo

Igreja do Convento de Nossa Senhora do Carmo

João Pessoa, Paraíba, Brasil

Arquitetura religiosa

Segundo Lins, a ordem de Nossa Senhora do Carmo instalou‐se na Paraíba entre 1605 e 1609, onde criou um hospício e trabalhou na catequese dos indígenas. A gleba de terra em que se implantou o convento ficava imediatamente a leste da cidade, e só foi parcelada nos séculos XIX e XX. Contudo, o conjunto integrava‐se visualmente à cidade pela implantação da igreja, cuja fachada era o ponto de fuga do antigo Beco do Carmo. A primeira versão deste conjunto ficou inconclusa quando da invasão holandesa, e permanecia em construção no início do século XVIII. A atual igreja data do período entre 1763‐1778, quando Frei Manuel de Santa Teresa foi prior. Ele também restaurou o convento que, em 1829, estava sendo usado pelas forças militares da província, e que, retornando ao uso religioso no início do século XX, foi quase completamente refeito, para abrigar a arquidiocese da Paraíba. A fachada da igreja é rococó nas proporções e na decoração, mas a sua cornija é reta, e o frontão relativamente baixo, diferentemente do uso corrente na região de Pernambuco. A solução compositiva com portas falsas, em cantaria, nas torres, corresponde ao espírito barroco. Aparentemente, a última reconstrução avançou sobre a igreja da Ordem Terceira, que já existia, neste momento. A planta baixa é comum no período, com galerias laterais e junção chanfrada entre as paredes do arco-cruzeiro e da nave. A decoração interna, homogénea, repete as formas da talha rococó na cantaria de pedra calcária (atualmente sob uma camada de tinta). Frei Lino do Monte Carmelo, citado por Barbosa, descreveria este templo como o melhor desta província carmelita, por ser todo em pedra, "até mesmo a talha e relevos dos seus altares, colunas, nichos e tudo o mais que concerne à beleza de um altar, sobressaindo em todos o dourado polido" (Lucena: Igreja de Nossa Senhora da Guia, Santa Rita: Igreja Matriz de Nossa Senhora do Livramento). Destaca‐se também a azulejaria das paredes, integrada aos altares laterais, com temas ligados à ordem carmelita. Simões datou estes silhares como sendo de 1750, o que o leva a argumentar que a igreja teria sido apenas parcialmente refeita nas décadas seguintes. Os trabalhos de pintura incluem o forro sob o coro alto e dois painéis de forma oval, acima dos altares ao lado do arco‐cruzeiro - um vinculado à Virgem Maria, e outro ao êxtase de Santa Teresa.

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