Igreja Matriz do Divino Espírito Santo

Igreja Matriz do Divino Espírito Santo

Cairu, Bahia, Brasil

Arquitetura religiosa

Na Ilha de Boipeba, no meio de um relvado plano rodeado de árvores frondosas, está a pequenina Matriz do Divino Espírito Santo, um remanescente da antiga aldeia jesuítica de inícios do século XVII, elevada a freguesia em 1616 por D. Constantino Barradas, e quase esquecida num povoado perdido no tempo, onde a proteção do IPHAN ainda não se fez presente. Nem tão esquecida, pois os cunhais interrompidos mostram a intervenção do século XIX, a inserir o coro alto e o consistório. Do século XIX são também as janelas em estilo D. Maria I, com singelas molduras em massa, onde se lê no vão central a data de 1838. Sobreviveram às alterações a sacristia esquerda, os cunhais, a portada com cercaduras em cantaria e dois elementos comuns nos pequenos templos seiscentistas das aldeias jesuíticas: o partido em cruz latina, formado por duas profundas capelas laterais, e a espadaña ou parede sineira. O eixo da fachada em tipo empena alinha a portada única, a janela central das três que marcam o coro e o frontão curvilíneo que remata o conjunto. O pároco é, desde 1907, um dos padres do convento franciscano de Cairú, a quem foi confiada pelo arcebispo a direção das freguesias de Cairú e Velha Boipeba. É ele que dá apoio espiritual e mantém a comunidade envolvida na preservação do acervo da matriz: os altares neoclássicos, os azulejos figurativos do século XVIII que ornam a Capela do Santíssimo, a pia batismal e as grades de madeira torneada.

Ana Maria Lacerda

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