Bairro dos Pescadores de Brancavara

Bairro dos Pescadores de Brancavara

Diu, Guzerate, Índia

Habitação

O Bairro dos Pescadores de Brancavara (Vanakbara), situa‑se no extremo oeste da Ilha de Diu. Esta povoação desenvolveu‑se a partir de uma comunidade de pescadores, vindo a tornar‑se o terceiro núcleo populacional do território, após a cidade de Diu e Gogolá. Por volta de 1630, edificou‑se a Igreja de Santo André, e em 1774 houve necessidade de construir nova fortificação para defender a povoação. Construído nos derradeiros anos da presença portuguesa, localiza‑se a oeste da igreja, elemento agregador da comunidade. A organização urbana linear resulta da associação da casa mínima, que introduz uma escala e expressão arquitetónica contidas. Responde assim ao enquadramento sociocultural da comunidade que lhe está na origem, bem como às limitações económicas do projeto. A singular unidade urbana do Bairro dos Pescadores resulta das ruas dispostas paralelamente à praia, próximas do areal, acedendo ‑se ao mar por travessas perpendiculares onde todo o bairro flui, tendo de permeio uma terra comum utilizada como zona de despejo e seca de peixe. Uma estrutura palafítica elementar com passadeiras de madeira avança sobre o mar para acesso e amarração dos barcos. Contudo, é em terra que a vida social ligada à lida do mar decorre, nas ruas enquanto natural prolongamento das pequenas e estreitas casas, recolhidas num alpendre que protege do clima e aconchega a ínfima entrada, que constitui um discreto sinal de composição repetido ao longo dos planos de fachada. Este bairro remete ‑nos para o pioneiro bairro modernista dos pescadores de Olhão, no sul de Portugal, do arquiteto Carlos Ramos. Encontramos semelhanças na unidade e composição urbana, com um certo espírito modernista, e também nalguns apontamentos como as escadas nos topos das ruas para acesso às açoteias, apesar de as casas maioritariamente terem cobertura de duas águas. As paredes das casas do Bairro de Brancavara são elevadas recorrendo à tecnologia tradicional, em blocos de pedra de areia trabalhados à mão, argamassados, rebocados e caiados de branco. Pontualmente observam ‑se cores fortes de pigmentos. As coberturas são em armação de madeira protegida por telhas cerâmicas e abatidas, formando uma única cobertura que acentua a horizontalidade do conjunto. Do alto do adro da Igreja Matriz observa ‑se a dimensão e a organização urbana do bairro, integrado numa orografia marítima específica e autonomizado da urbanidade dispersa de Brancavara.

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