Escolas

Escolas

Diu, Guzerate, Índia

Equipamentos e infraestruturas

A instrução primária no território de Diu estava dividida entre escolas de língua portuguesa e escolas de gujarati. No final do século XIX existiam quatro escolas de português: duas situavam‑se na cidade, no antigo Convento de São Paulo e no Recolhimento de Santana; duas fora da cidade, em Vanakbara e outra em Goghla, ambas sem instalações próprias. Em contrapartida, como a população não ‑católica do território era mais afluente e maioritária (cerca de 98% em 1899) foram as escolas de gujarati que ganharam relevo arquitetónico. Destacam‑se três construções deste tipo, todas na cidade de Diu. A primeira estrutura, a Escola Régia de Guzerate, foi edificada em 1895 por iniciativa de Probudás Virchande, comerciante em Moçambique, e localiza ‑se cerca de duzentos e cinquenta metros a sudoeste do Mercado da Alfândega. É um edifício de dimensões modestas, que reflete a influência dos bangalós da administração britânica no subcontinente Indiano. Rodeado por uma varanda porticada, a sobriedade da sua traça e a importância dada às aberturas e ventilação revela a orientação higienista da época. Atualmente ainda é uma instituição de ensino. A segunda escola foi aberta em 1927 e destinavase ao sexo feminino. Recebeu o nome da sua fundadora, Pani Bai, mulher de Bhagvandas Laxmichand, cujo nome figura sobre a entrada principal. Localizado a cerca de quatrocentos metros a oeste da Igreja São Paulo de Diu, o edifício pode ter resultado da reconversão de uma estrutura mais antiga. Apresenta uma morfologia retangular alongada e desenvolve se em dois pisos. A fachada principal articula se através de tramos separados por pilastras, destacando se a zona central, com o acesso principal no piso térreo e provida de uma varanda saliente no piso superior. Esta varanda sofreu uma intervenção em 2008. Em redor da entrada existem vários relevos e motivos decorativos, pintados em tons vivos. No resto da fachada abrem-se janelas em arco, sendo as de baixo igualmente decoradas com esculturas e relevos figurativos, referentes à religião hindu. A rematar o volume, existe uma balaustrada, elemento comum à maioria das edificações em Diu. O terceiro edifício, construído cerca de 1931, está igualmente associado à ação filantrópica de Pani Bai, sendo também conhecido por este nome. Na porta principal figura o nome de Amratlal Jamnugás, provável benfeitor da construção. Situa se duzentos e cinquenta metros a leste da porta principal da linha amuralhada da cidade. O edifício, de forma retangular, afasta se da rua através de um pequeno jardim para o qual se abre através de uma colunata. A cobertura é plana e rematada por uma balaustrada. As fachadas apresentam profusa decoração, que sobrevém nos elementos estruturais, onde figuram motivos vegetais e geométricos de origem indiana.

Alice Santiago Faria

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