Castelos de Laqbibat e de Lalqáliq

Castelos de Laqbibat e de Lalqáliq

El Araich [Larache, Alarache, Laraish], Norte de África, Marrocos

Arquitetura militar

Na segunda metade do século XVI, o jogo político entre espanhóis, otomanos e holandeses passava também pelo Norte de África e, como se sabe, um dos grandes objetivos de D. Sebastião foi a conquista de Larache. Terá sido essa uma das razões essenciais que levou o rei ao Norte de África e ao desastre de 4 de agosto de 1578, com a consequente derrota do exército português, tendo aí ficado aprisionados milhares de homens.
Terá sido logo nesse ano que o sultão saadiano Ahmad al‐Mansur al‐Dahabi, que controlava Larache, mandou construir duas fortificações: o Castelo de Laqbibat ("das Pequenas Cúpulas") e o Castelo de Laqáliq ("das Cegonhas"). Segundo todos os testemunhos o indicam e as formas e técnicas construtivas o comprovarão, estes fortes não só terão sido projetados por um engenheiro italiano, trabalhando para o rei português e que terá ficado aprisionado em Alcácer‐Quibir, como também a maior parte da mão‐de‐obra terá sido fornecida, logo em 1578, pelos prisioneiros portugueses da batalha, que, aliás, terão também sido os seus primeiros ocupantes. Ainda hoje, muitos visitantes e mesmo autóctones chamam à primeira dessas fortificações o Castelo Português.
É certo que este período é muito mal conhecido e têm‐se gerado muitas confusões com a origem e designação das estruturas existentes. O Forte das Cegonhas, uma grande estrutura amuralhada, em forma triangular, rodeou uma torre que já existia no século XV, a Torre Judia ou do Judeu, com uma forma quadrada e que terá conhecido obras do tempo do domínio espanhol. Esta torre apresenta num dos seus lados um brasão da casa reinante de Espanha, em que ainda se percebe claramente, bem ao centro, o escudo de Portugal.
Não admira a presença espanhola: entre 1610 e 1689, os espanhóis ocuparam a cidade de Larache, onde voltaram entre 1912 e 1956. A questão relevante e que justifica a entrada de Larache neste inventário reside na ligação muito constante de portugueses com essa cidade, ao menos até ao século XVII, como construtores de fortalezas. Atestando essa antiga ligação, lembre‐se que uma das mais antigas plantas de Larache é de finais do século XVI e da autoria de outro português, João Mateo Benedetti.
Note‐se que no último estudo sistemático sobre Larache, conduzido pelas autoridades espanholas, que suportam e financiam o projeto de recuperação de grande parte da cidade, ficam perfeitamente claras as lacunas de investigação e os trabalhos que ainda importaria promover, entre os quais alguns que dizem respeito às fortificações mais relacionadas com os portugueses.

Loading…