Igreja e Convento de Nossa Senhora do Carmo

Igreja e Convento de Nossa Senhora do Carmo

Recife, Pernambuco, Brasil

Arquitetura religiosa

Aquando de sua presença no Recife, o governador João Maurício de Nassau (1637‐1644) construiu dois palácios, o de Friburgo, ou das Torres, e o da Boa Vista, este tendo um corpo central muito alto, coberto com telhado em quatro águas e cercado por um corpo baixo em seu redor e com quatro torrezinhas com coberta em forma de flecha, à maneira holandesa, nos cantos. Com a rendição holandesa (1654) os palácios passaram à propriedade da fazenda real. Os frades carmelitas, interessados em fundar convento no Recife, alojaram‐se então no Palácio da Boa Vista. Os religiosos, obtida a devida autorização régia, iniciaram em 1685 o convento pela parte da igreja. Nunca o concluíram. A capela‐mor, por onde começou a edificação da igreja, recebeu grande ajuda do capitão Diogo Cavalcanti de Vasconcelos, nela enterrado em 1703. A grande colaboração vem, no entanto, do capitão António Fernandes de Matos. Este realizou as obras maiores da igreja e do convento. Em 1696, estava o conjunto das obras na altura do cruzeiro da igreja, que somente em 1767 estaria de todo construída. A igreja adotou como modelo de arquitetura uma forma consagrada até aos anos finais do século XVII, na qual ao lado da nave dispõem‐se capelas laterais intercomunicantes, e capela-mor bastante profunda. O transepto, sem cúpula, exigível em tal partido arquitetónico, é determinado por duas grandes capelas. A talha interior da igreja é variada e de tempos diferentes. Pode‐se até dizer ser a igreja verdadeira aula no género. O altar‐mor pertence ao gosto rococó. As abóbadas de arestas em madeira da capela‐mor são do século XIX, uma moda do neogótico desse tempo. Os altares do transepto pertencem ao reinado de D. João V, apesar de intervenções posteriores. Os seis altares da nave, antes no fundo das capelas intercomunicantes, se incluem no período do barroco joanino/D. José. Essas seis capelas intercomunicantes eram cobertas por cúpulas com lanternim, sendo que três ainda existem. Os altares da nave foram trazidos para os arcos de entrada daquelas antigas capelas. A nave possui um belo forro pintado. A fachada da igreja traz a data de 1767, e é uma obra‐prima de desenho e execução rococó. É um dos referenciais artísticos do século XVIII no Recife. Uma questão ainda em aberto é a origem do mirante situado em uma das alas do convento. A tradição oral informa ser ele aquela parte central do Palácio da Boa Vista, ocupada no princípio pelos frades e não demolida depois. Um exame superficial confirma diferenças de estruturas e gostos de tal mirante com relação ao resto da ala da quadra. Somente uma pesquisa arqueológica, a fazer, daria talvez a última palavra.

José Luiz Mota Menezes

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