Casa de Câmara e Cadeia (Museu da Inconfidência)

Casa de Câmara e Cadeia (Museu da Inconfidência)

Ouro Preto, Vila Rica, Minas Gerais, Brasil

Equipamentos e infraestruturas

Como em várias outras vilas coloniais, os "paços do concelho" e a cadeia de Vila Rica funcionaram durante décadas em locais provisórios, como casas emprestadas ou alugadas, e muitas vezes inadequados às suas funções. Em 1745, o então governador Gomes Freire encomendou ao engenheiro Alpoim dois riscos: um para o Palácio dos Governadores, que foi executado, e outro para a Casa de Câmara e Cadeia, que ficou no papel, embora a obra tenha chegado a ser arrematada por Manuel Francisco Lisboa. Somente em 1784 o projeto foi relançado: neste ano o governador Luís da Cunha Menezes viera de Portugal com uma "Planta da nova Cadeia de Villa Rica", desenhada por C. Manuel Ribeiro Guimarães, que corresponde, grosso modo, ao projeto construído. A obra iniciou‐se em 1785, mas foi interrompida diversas vezes por falta de recursos, embora o tirânico governador Cunha Menezes tivesse criado uma fonte de renda específica (lotaria), e utilizado mão‐de‐obra gratuita (negros fugidos e sentenciados). Estes procedimentos lhe valeram algumas das apóstrofes mais belas e enérgicas das chamadas Cartas Chilenas, atribuídas ao poeta Tomás António Gonzaga. A câmara ali se instalou em 1836, mas somente dez anos mais tarde foram concluídos os últimos acabamentos. O frontispício foi provavelmente inspirado no Capitólio de Roma, e compõe‐se de um grande bloco maciço em pedra, dominado por uma torre central provida de sino, um frontão triangular e uma alta platibanda com balaustrada que oculta a cobertura. Nos quatro cantos desta última elevam‐se figuras de pedra‐sabão representando as virtudes cardeais - Prudência, Justiça, Temperança e Fortaleza - cuja autoria é atribuída ao português António José da Silva. A construção do edifício foi acompanhada pela regularização da atual Praça Tiradentes, tendo sido demolidas diversas casas que obstruíam a perspectiva do edifício. Em 1938, este foi doado ao governo federal para ser transformado em Museu da Inconfidência, inaugurado em 1944. No dia 21 de abril de 1942 inaugurou‐se o Panteão, para onde foram transferidos os despojos dos inconfidentes mortos no exílio da África e repatriados em 1936, por iniciativa do governo de Getúlio Vargas.

Cláudia Damasceno Fonseca

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