Capela de Nossa Senhora do Rosário (Capela do Padre Faria)

Capela de Nossa Senhora do Rosário (Capela do Padre Faria)

Ouro Preto, Vila Rica, Minas Gerais, Brasil

Arquitetura religiosa

A denominação pelo qual este templo é mais conhecido, Capela do Padre Faria, não possui veracidade histórica. Para Diogo de Vasconcelos, a capela ouro‐pretana em que o padre João de Faria Fialho oficiou foi a de São João Batista; a de Nossa Senhora do Rosário só surgiu em 1710, depois que ele já havia se retirado para Guaratinguetá (São Paulo). Segundo a tradição, este templo teria surgido numa circunstância singular: devido ao assassinato de um clérigo que celebrava missa dentro da Capela de Nossa Senhora do Bom Sucesso (nas cercanias de Ouro Preto, numa localidade cuja história está associada indiretamente ao padre Faria), a mesma ficou interditada, e os moradores transferiram a imagem de Nossa Senhora do Parto para uma nova capela, em taipa e madeira, que ergueram no atual Bairro do Padre Faria. Em 1740, a irmandade dos brancos do Rosário ali se instalou, após ter sido expulsa da igreja de Santa Efigénia pelos pretos da mesma irmandade. Reconstruíram a capela em canga, enriqueceram‐na e mudaram a invocação para a Senhora do Rosário, "mas continuando a Senhora do Parto ou do Bom Sucesso como padroeira da Capela". Afora esses elementos, os únicos dados a respeito da história do templo são as datas inscritas no sino (1750) e na grande cruz pontifical situada no adro (1756). Neste espaço externo também se encontra a pequena torre sineira, coberta com telhado em pirâmide galbada. No frontispício, a portada e as duas janelas têm guarnições de cantaria e cimalhas; os cunhais, os coruchéus e a cruz no alto da empena são também de pedra. O interior apresenta dois belos altares e retábulos dourados, de estilo D. João V. A atual pintura do teto da nave data de 1930; a pintura do forro da capela‐mor representando a coroação da Virgem e outras cenas marianas é contemporânea das obras de talha, sendo um dos raros exemplos de tetos barrocos remanescentes na região central mineira. Depois da classificação em 1939, o IPHAN realizou diversas reformas, uma delas consistindo na substituição do frontão composto de curvas e contracurvas, provavelmente uma adaptação do século XIX, por empena simples, como as que vemos nas capelas de Santana e São João Batista.

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