Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição (Camargos)

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição (Camargos)

Ouro Preto, Vila Rica, Minas Gerais, Brasil

Arquitetura religiosa

Segundo a tradição, o bandeirante António Dias foi o construtor da primitiva ermida dedicada a Nossa Senhora da Conceição, erguida no mesmo período em que surgiam as capelas da Serra do Ouro Preto. Sabe‐se que em 1707 ela já funcionava como matriz. No início da década de 1720, quando o rei começou a cogitar sobre a criação de um bispado em Minas, os moradores da freguesia, apoiados pela Câmara de Vila Rica, decidiram reconstruir a igreja: não somente pelo seu estado de "ruína", e por "ser tão pequena que nem a quarta parte do povo daquela freguesia cabe nela", mas também porque o templo tinha chances de ser elevado à dignidade de catedral. Em 1727, iniciaram‐se as obras, com base num projeto atribuído a Manoel Francisco Lisboa; em 1814, sob as campas desta igreja, seria enterrado seu filho, o Aleijadinho. Não há dados muito precisos sobre a cronologia dos trabalhos, que parecem ter evoluído lentamente. Em 1745 foi reconstruída em pedra e cal uma das paredes que ameaçava ruína; em 1752‐1753, realizavam‐se consertos "do telhado da sacristia nova". Quanto à ornamentação interna, as referências também são esparsas. Sabe‐se que, no período 1758‐1765, Jerónimo Félix Teixeira e o bracarense Felipe Vieira trabalharam no altar‐mor, e que as obras de pintura e douramento da capela‐mor (que já incluem elementos rococó) foram concluídas em 1772. Entre os oito altares da nave,em estilo D. João V, existem peças remanescentes da primitiva matriz. Os únicos dados existentes referem‐se ao altar de Nossa Senhora do Rosário, no qual José Coelho de Noronha e Manoel Gonçalves efetuaram "consertos" e douramento entre 1746 e 1750. A pintura do forro abobadado só foi executada no século seguinte. Em 1794, o edifício já apresentava sinais de deterioração, e o vigário pediu auxílio a D. Maria I para obras de reparo no frontispício, torre e escadas. A fachada é dividida em três corpos por cunhais e pilastras, e possui duas torres sineiras, portada simples, óculo quadrilobado e duas janelas no coro. Ao que tudo indica, as diversas reformas realizadas no século XIX não ocasionaram alterações substanciais nesta estrutura original; por outro lado, internamente foram realizadas repinturas dos elementos decorativos setecentistas, as quais foram removidas pelo IPHAN em 1949.

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