Igreja de Nossa Senhora do Carmo

Igreja de Nossa Senhora do Carmo

Ouro Preto, Vila Rica, Minas Gerais, Brasil

Arquitetura religiosa

A Ordem do Carmo de Vila Rica foi oficialmente criada em 1752, e inicialmente se reunia na modesta Capela de Santa Quitéria, situada no morro de mesmo nome e pertencente à freguesia do Pilar de Ouro Preto. No ano seguinte, os irmãos decidiram substituir a capela de pau‐a‐pique por uma igreja de pedra: em poucos meses aprovaram um risco e arremataram a obra. No entanto, houve desentendimentos entre a Irmandade do Carmo e a de Santa Quitéria, que detinha os terrenos, e somente após a interferência da câmara e das autoridades metropolitanas elas chegaram a um acordo. Em 1766, a Mesa aprovou o novo risco, apresentado por Manuel Francisco Lisboa, e as obras foram arrematadas pelo mestre bracarense João Alves Viana, que executou grande parte da alvenaria e cantaria da capela‐mor (1767‐1769). A construção da nave prolongou‐se até 1779; no ano seguinte, foram contratados com Francisco de Lima Cerqueira os trabalhos do lavabo da sacristia e da portada. As esculturas ornamentais desta última (cartela com rocalhas, anjinhos esvoaçantes) trazem a "assinatura" inconfundível de Aleijadinho, que atuou ali em regime de subcontratação. Para Myriam R. de Oliveira, esta igreja foi o "marco inicial de uma parceria profissional entre os dois artistas". Aleijadinho também deve ter participado das alterações no risco inicial do frontispício, desenhado pelo pai. Segundo a especialista, "temos aqui a estrutura composicional da fachada de Santa Efigénia, transfigurada em versão rococó": o frontispício é levemente ondulado, o óculo é trilobado e integrado à decoração rocaille da portada, as torres são esbeltas, ligeiramente arredondadas e coroadas por bulbos em forma de sino, de inspiração germânica; as molduras das janelas já estão mais próximas da tradição luso‐brasileira, com seu arremate em ponta, "de gosto pombalino". Internamente, a decoração iniciou‐se pela arrematação dos altares laterais e púlpitos (desenhados por João Gomes), com Manuel Francisco de Araújo, em 1784. Um risco desses altares, em tamanho natural, ainda se encontra desenhado na parede interna do consistório. Em 1795, foram concluídos apenas os altares próximos ao arco‐cruzeiro. Os de São João e Nossa Senhora da Piedade foram executados pelo atelier de Aleijadinho (1807‐1809), e os restantes, juntamente com os púlpitos, pelo seu discípulo Justino Ferreira de Andrade (1812‐1814). Estes retábulos foram pintados e dourados por Manuel da Costa Ataíde, que também é o autor do risco e douramento do altar‐mor, entalhado por Vicente da Costa e Agostinho da Silva (1813). Na parte inferior das paredes da capela‐mor estão os únicos verdadeiros painéis de azulejos exis‐ tentes em igrejas mineiras. As pinturas dos forros da nave e capela‐mor são do italiano Ângelo Clerici (1908/1909); o forro da sacristia é atribuído por alguns ao mestre Ataíde.

Cláudia Damasceno Fonseca

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