Igreja de São José (Capela Imperial de São José)

Igreja de São José (Capela Imperial de São José)

Ouro Preto, Vila Rica, Minas Gerais, Brasil

Arquitetura religiosa

A Irmandade de São José dos Bem Casados - santo protetor dos artesãos e do matrimónio - reunia mulheres e homens pardos (mulatos), geralmente ligados às artes liberais e aos ofícios mecânicos, tendo congregado músicos de destaque como Inácio Parreira Neves e o padre António de Souza Lobo, entre outros. Inicialmente, os irmãos se reuniam na Matriz de Nossa Senhora da Conceição de António Dias. Embora a constituição formal da irmandade tenha ocorrido somente em 1730, a confraria já possuía desde 1726 sua capela própria, que foi erguida dentro da freguesia do Pilar. Fabricada de madeira e barro, em 1744 estava já bastante deteriorada. Neste ano, os irmãos, tendo em vista "a sua pobreza", enviaram petição a D. João V, solicitando uma licença para colocarem um ermitão, "esmolando por todas as minas" durante dez anos, e, em Vila Rica, "às quartas‐feiras, um irmão com a imagem do padroeiro ao pescoço". O risco foi encomendado a Francisco Branco de Barros Barriga, e a execução ficou inicialmente a cargo de José Pereira dos Santos (1753 a 1759, quando foi concluída a nave) e, em seguida, de António Rodrigues Falcato (obras de pedra da capela‐mor e sacristia, 1760‐1764). Em 1761, foi realizada a bênção da capela, embora esta não estivesse ainda totalmente concluída. Em 1772, António Francisco Lisboa, o Aleijadinho (que se tornou, então, membro da confraria), foi contratado para realizar o risco das duas torres, mas o projeto foi modificado pos‐ teriormente: em 1799, a mesa da Irmandade optou pela solução de uma única torre central. Também coube ao mestre Aleijadinho o risco do retábulo‐mor, que foi executado pelo entalhador Lourenço Rodrigues de Souza (1775‐1778). As pinturas da capela‐mor (cenas da vida de David), são obra do mulato Manuel Ribeiro Rosa (1779‐1783). O frontispício foi construído entre 1801 e 1828 por Miguel Moreira e José Veloso Carmo, segundo o projeto de João Machado de Sousa. O que a fachada possui de mais original é o terraço arredondado ao nível do coro, com balaustrada de pedra‐sabão, do qual emerge a torre. A edificação passou por sucessivas obras de conservação no decorrer do século XIX, e depois de ser classificada pelo IPHAN (1939) sofreu várias outras reformas.

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