Igreja de Nossa Senhora das Mercês

Igreja de Nossa Senhora das Mercês

Diamantina, Minas Gerais, Brasil

Arquitetura religiosa

A confraria de Nossa Senhora das Mercês foi oficialmente instituída em 1771 pelos escravos crioulos (nascidos na colónia) que se retiraram da Irmandade do Rosário. Segundo o compromisso da nova irmandade, esta poderia admitir "toda a qualidade de pessoas", mas seus membros tentaram impedir a entrada de "pretos cativos naturais da Costa da Guiné". A princípio, os irmãos reuniam‐se diante do altar do Senhor dos Passos, na Capela do Senhor do Bonfim. Graças, em grande parte, às contribuições dadas pelos irmãos brancos e abastados, a irmandade pôde erguer um templo próprio. As obras iniciaram‐se em 1778, pela capela‐mor, com a contratação do "mestre carapina" (carpinteiro) José Manuel Freire. Em 1787, a fatura do retábulo do altar‐mor - em talha rococó, com rocalhas e volutas - foi ajustada com Manuel Pinto Bessa. A pintura do forro da capela‐mor foi executada em 1794 por Manoel Alves Passos. Ao contrário das composições de José Soares de Araújo, a perspectiva arquitetónica é aqui bastante simplificada, resumindo‐se ao muro‐parapeito que percorre o perímetro do forro. No entanto, segundo Myriam R. de Oliveira, a influência deste artista é identificável no medalhão central, emoldurado por rocalhas e guirlandas, no qual se vê a imagem da Senhora das Mercês cercada por querubins e, sob seu manto da Misericórdia, um homem branco e dois escravos de joelhos, personagens que "conservam a tipologia" do grande mestre local. Em 1827, ampliou‐se a nave; os altares laterais, púlpitos e demais acabamentos também datam do século XIX. A fachada é simétrica, e compõe‐se de três planos verticais separados por esteios de madeira, porta e duas janelas do coro com verga alteada, óculo quadrilobado e torre única central, com telhado em quatro águas. O edifício foi classificado pelo IPHAN em 1949.

Cláudia Damasceno Fonseca

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