Igreja de Nossa Senhora do Rosário

Igreja de Nossa Senhora do Rosário

Diamantina, Minas Gerais, Brasil

Arquitetura religiosa

Como na maior parte das localidades mineiras, a Irmandade do Rosário foi uma das primeiras a serem instituídas no arraial do Tejuco, em 1743. No entanto, a documentação existente indica que a confraria já existia informalmente na década anterior, funcionando numa ermida primitiva, cujo património foi doado pelo sargento‐mor Manoel da Fonseca Silva. Em 1771‐1772, os irmãos do Rosário decidiram ampliar o edifício, ajustando com o mestre Manuel Gonçalves a obra do "corpo da igreja" - ou seja, da nave, com o coro, e do novo frontispício. Diferentemente da maior parte das igrejas diamantinenses, que são implantadas no interior das quadras, junto ao casario, este edifício situa‐se no centro de uma ampla praça, com um adro espaçoso, revestido de pedra. Trata‐se de construção em adobe, com reboco e caiação branca. Seguindo o padrão dominante na cidade, a fachada é assimétrica, com torre única lateral; os cunhais e esteios, bem como o enquadramento dos vãos, portas e janelas, são em madeira pintada com cores fortes e contrastantes. Internamente, destaca‐se a capela‐mor, que parece ter mantido intacta sua forma original, apresentando um conjunto harmónico formado pelo arco‐cruzeiro, retábulo, e pelo forro em perspectiva arquitetónica de trama compacta, que apresenta no centro a Virgem do Rosário rodeada de anjos e nuvens. Trata‐se de obra do principal artista da região, o bracarense José Soares de Araújo, que exerceu o posto de guarda‐mor das terras minerais do Tejuco, e que era tesoureiro da Irmandade do Rosário na época em que realizou os trabalhos na igreja (1778‐1782). A edificação foi classificada pelo IPHAN em 1949.

Cláudia Damasceno Fonseca

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