Igreja de Nossa Senhora do Carmo

Igreja de Nossa Senhora do Carmo

Diamantina, Minas Gerais, Brasil

Arquitetura religiosa

A Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo foi fundada no arraial do Tejuco em 1758. Dois anos depois, os irmãos obtiveram autorização para construir uma capela própria. Não se sabe se uma ermida primitiva chegou a ser erguida; de acordo com os dados compilados por G. Bazin, em 1765 os irmãos registaram a "doação do novo templo", que lhe fora feita pelo contratador João Fernandes de Oliveira, prior da Ordem, que o mandou construir, "às suas expensas", num pequeno terreno fronteiro à sua residência - escolhido contra a vontade da irmandade, que preferia que a igreja se situasse num local mais destacado, "no alto da Rua Direita", segundo a tradição recolhida por Joaquim Felício dos Santos. Além desta particularidade histórica, a Igreja do Carmo distingue‐se também do ponto de vista arquitetónico: a torre única, situada na parte posterior do edifício, constitui uma solução original e inusitada em Minas Gerais. Como em outros exemplares da arquitetura religiosa da cidade, a igreja não possui adro; a fachada é assimétrica, e apresenta o sistema construtivo tradicional, em madeira e adobe. O plano central é constituído pela portada em madeira, duas janelas do coro e pelo óculo envidraçado, de linhas curvas, encimado pelo entablamento vigoroso e pelo frontão, ladeado por duas volutas e coroado por elemento triangular. Este último se repete no prolongamento do módulo lateral do frontispício, que apresenta uma porta encimada por janela idêntica às do coro. A esta fachada, graciosa e imponente, alia‐se um interior sumptuoso, em que se destaca a rica talha, e sobretudo a pintura dos forros, em perspectiva arquitetónica, executada pelo pintor bracarense José Soares de Araújo, que também realizou o douramento de vários altares. Embora realizado na segunda metade do século XVIII, seu trabalho denota pouca influência do rococó (diferentemente dos artistas que atuaram na região central de Minas), mantendo esquemas de composição barrocos. No teto da capela‐mor (datado de 1766), o tema é a Virgem entregando os escapulários a São Simão Stock. A composição do forro da nave (1778‐1784) tem como elemento central a cena do profeta Elias no carro de fogo. O conjunto de retábulos insere‐se no estilo D. João V. No século XIX e no início do XX, a igreja sofreu diversas reformas descaracterizadoras, como a reconstrução da torre na fachada principal do edifício. Após a classificação do edifício (1940), o IPHAN realizou uma série de intervenções, incluindo o reposicionamento da torre na sua posição original.

Cláudia Damasceno Fonseca

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