Palácio do Governo-Geral

Palácio do Governo-Geral

Luanda [São Paulo de Luanda], Luanda, Angola

Habitação

"Tem‐se afirmado datarem de 1607/1611 as primeiras construções efectuadas no local, ou seja no Rossio ou no Largo da Feira, denominação dada no século XVII ao Largo do Palácio. Tratar‐se‐ia em começo, e, entre outros duma Caza para a Camara [...] em 1621 introduziu naquela construção importantes modificações, de modo a dar‐lhe a finalidade que ainda conserva [...]. Entre 1624/1630 [...] foi a conclusão das obras do Palácio do Governo, para os governadores terem moradia própria" (Martins, 2000, p. 206). Assim começou, a mando do governador Fernão de Sousa, o edifício que foi Palácio do Governo e que deveria ter sido Casa de Câmara.
Foi uma grande mansão da época de Seiscentos, mas os sucessivos restauros foram‐lhe tirando a traça original, transformando‐o num edifício neoclássico, com uma arcada saliente que termina num frontão triangular bem ao gosto dos anos 1940. Em 1761 o edifício foi quase todo demolido, por se considerar impróprio para residência de governadores. A nova construção seguiu a linha arquitetónica própria da época pombalina, ou seja um estilo classicizante. A forma desenvolvia‐se em dois corpos paralelos unidos por um corpo central, com uma fachada anterior constituída por uma sequência de janelas de sacada, enquanto na fachada posterior predominava uma imponente escadaria barroca. Assim se manteve até ao início do século XX, época em que se fizeram grandes alterações para dar mais nobreza à fachada, o que implicou a sua ampliação, modernização e unificação com as dos edifícios confinantes: Palácio Episcopal, Casa da Junta Real, entre outros. O Palácio dos Governadores é um somatório de intervenções que se fizeram ao longo de três séculos e meio, numa simbiose de estilos que vai desde o pombalino até ao neoclássico. A expressão classicizante atual, marcada pelo corpo central com frontão e arcos redondos, foi dada pela intervenção do arquiteto Fernando Batalha, possivelmente nos anos de 1940‐1950.

Isabel Martins

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