Igreja de Santo Agostinho

Igreja de Santo Agostinho

Macau, Macau, China

Arquitetura religiosa

A fundação do Convento de Santo Agostinho de Macau foi da responsabilidade de padres espanhóis que pertenciam à Província Filipina, mas esta casa religiosa passou para a administração da Província Portuguesa logo em 1589, dado que o monarca ibérico sempre desejou manter separadas as jurisdições das suas coroas. Dois anos volvidos, a comunidade religiosa abandonou o edifício onde se tinha instalado, certamente porque era muito modesto, e mudou‐se para um local que permitia um outro desenvolvimento, aquele onde ainda hoje está a igreja, a que foi dada a invocação de Nossa Senhora da Graça. Foi erigida e dotada com quatro altares, com o altar‐mor dedicado a Nossa Senhora e os outros a Nossa Senhora do Bom Sucesso, a São Nicolau de Tolentino e ao Descendimento de Cristo da Cruz. A adulteração do edifício começou em 1855, com a instalação do Hospital Militar nas alas que conformavam o claustro. A tropa continuou nas instalações conventuais até que em 1893 foi decidido ali instalar o Liceu de Macau.
A estrutura do edifício remonta ao século XVII, mas há que ter em atenção o grande incêndio que em 1872 destruiu a capela‐mor, a sacristia e várias outras dependências. No ano seguinte, a Confraria do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos requereu para si a igreja, com o compromisso de reedificar as partes derrubadas. Em 1887 já as obras estavam concluídas; no entanto, em 1889 a mesa da confraria resolveu reconstruir integralmente a igreja. O engenheiro Mateus Lima foi então requisitado para fazer a necessária vistoria e elaborar o caderno de encargos, vindo a empreitada a ser arrematada pelo mestre‐de‐obras chinês ou macaense Afoo. Foram também realizadas melhorias na sacristia, na torre e na casa da confraria. O templo voltou a ter culto a 9 de janeiro de 1900. Em 1918 foi reconstruído o telhado; em 1929 o coro‐alto de madeira foi substituído por outro em cimento; e, em 1937, foi completamente substituído o telhado.
A fachada mantém uma traça que deve ser cópia da seiscentista, embora tenha sido objeto de muitas reconstruções e trabalhos de consolidação. O arquiteto Tomás de Aquino teve aqui algumas intervenções. As molduras das janelas laterais e da grande janela de sacada situada sobre o portal, bem como a envolvência do nicho que se abre no frontão, onde está a imagem de Nossa Senhora da Graça, têm a sua marca inconfundível.
Esta frontaria é plana, com um portal da ordem toscana simplificada sobre pedestais, dois pares de colunas a delimitar o vão e entablamento corrido. As duas pilastras gigantes que marcam os limites extremos da frontaria são da ordem coríntia, mas muito mal interpretada.
O exterior em toda a envolvência do templo está adulterado, não sendo fácil sequer a simples reconstituição conjetural, embora alguns desenhos antigos mostrem um corpo extenso e de arquitetura muito simples, com dois pisos e grandes janelas bem ritmadas, virado para a Praia Grande. A torre sineira que subsiste, posto que quase invisível da rua, foi também descaracterizada.
Interiormente, o templo está dividido em três naves com cinco tramos, coincidindo o primeiro tramo com o coro‐alto, que tem continuação, na parte alta das paredes de flanco, numas galerias ou balcões de madeira. São interessantes as mísulas de suporte, com uma decoração eclética e hipertrofiadas do ponto de vista funcional, mas bom efeito plástico. Tem uma ampla capela‐mor de planta retangular, muito profunda, com grandes janelas que a iluminam excelentemente, e está dotada de um altar de tradição barroca. As naves estão divididas por arcaria de volta perfeita, assente sobre pilares de secção quadrangular estriados. O teto de madeira é praticamente plano no centro, com uma ligeira curvatura nas naves colaterais. Ressalta à vista o cromatismo intenso, com contrastes violentos entre o amarelo e o branco, ao que acresce o azul da cobertura.

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