Santa Casa da Misericórdia

Santa Casa da Misericórdia

Macau, Macau, China

Arquitetura religiosa

A Misericórdia de Macau foi fundada pelo conimbricense Melchior Carneiro mal chegou à cidade, tendo inicialmente o estatuto e funcionamento de uma confraria. Desde logo teve a cargo várias instalações hospitalares, embora não seja certo que os dois primeiros hospitais que existiram na península estivessem efetivamente sob a sua alçada. Que se ficaram todas a dever ao prelado, não há dúvidas, mas não sabemos como é que se articulavam então entre si. Ao primeiro hospital os chineses chamavam "templo do tratamento dos doentes",e a Misericórdia propriamente dita era conhecida entre a população autóctone como "templo de abastecimento de cereais".
O padre Sebastião Rodrigues testemunhou que em 1569 já estavam a decorrer obras de construção. Conhecemos documentação que atesta que houve outras em 1640, 1647, e também em 1747, quando o provedor Luís Coelho fez um novo edifício. No início, a instituição teve uma pequena capela privativa, situ‐ ada no seu interior, cujo culto assegurava, tal como fazia com a capelinha que havia dentro do Hospital de São Rafael.
Os desenhos executados por George Chinnery cerca de 1833 mostram bem as características do edifício antigo, que entretanto desapareceu e não devia estar muito diferente do que quando foi acabado. A fachada era dominada pela empena triangular da igreja privativa, dotada de um portal sobrepujado por uma janela de sacada e por um nicho ou baixo‐relevo, tudo de estilo clássico. À esquerda levantava‐se uma pequena torre e à direita as outras instalações privativas. A frontaria era muito simples e despojada, com as quatro grandes janelas do andar alto, com molduração de cantaria e um portal de aparato a meio, de desenho clássico. A construção era de carácter ocidental, dentro dos parâmetros das Misericórdias das vilas de média importância que existiam no Portugal do século XVII. O conjunto dos edifícios incluía um pátio, à volta do qual se organizavam as dependências, como o cartório e as casas dos expostos.
Cerca de 1905 foi dado à frontaria o aspecto neo‐clássico que esteve em voga em Macau durante quase todo o século XIX. Avançou‐se o corpo médio, que foi coroado com um grande frontão de raiz clássica. No piso térreo construiu‐se um átrio, hoje em dia mais utilizado como arcada de passagem, como acontece com quase todas as construções do Largo do Leal Senado. No andar nobre foi aberta uma varanda de aparato. No interior pouco resta de antigo, dadas as necessidades de adaptação às funções de assistência dos novos tempos.

Pedro Dias

Loading…