Igreja de Santo António

Igreja de Santo António

Macau, Macau, China

Arquitetura religiosa

A Igreja de Santo António de Lisboa é uma das mais antigas de Macau; a sua origem foi uma pequena capela edificada, entre 1558 e 1560, com materiais pobres e coberta de colmo, como todas as outras que os jesuítas então fizeram. O local primitivo não é este e o seu fácies foi muito alterado, mesmo em relação ao daquela que poderemos considerar a segunda construção. Há documentação que prova que por 1638 foi começada uma nova igreja, já com carácter definitivo, mas que foi consumida por um grande incêndio em 1809. A sua reconstrução começou logo no ano seguinte.
Em 1874 foi a vez de um tufão provocar estragos, dando início a novo incêndio, que não só consumiu a igreja, como também destruiu o cartório, a residência paroquial e outros anexos. As obras de recuperação começaram logo de seguida, mas já no século XX outras lhe conferiram o carácter com que chegou aos nossos dias, nomeadamente as que decorreram em 1930 e outras feitas mais tarde, já entre 1951 e 1953.
A volumetria que tem hoje é a mesma que tinha no início do século XX, mas as molduras das portas e janelas são diferentes, tendo sido colocados frontões triangulares nas aberturas do piso alto, além de uma balaustrada em cada, e suprimido o friso corrido de feição clássica que possuía métopas e tríglifos. As portas do andar térreo tiveram igual tratamento, ficando a média com um novo frontão triangular encurvado, apresentando uma brevíssima grinalda e uma concha invertida entre as pequenas volutas. A torre sineira foi revestida com um paramento igual ao da frontaria da igreja, já que antes apenas estava rebocada. A zona baixa ficou ligada à frontaria, com igual aparência desta.
O interior poderá corresponder ainda ao da igreja seiscentista. Possui uma só nave com cobertura de madeira, perfil abaulado e garrida policromia, capela‐mor de planta retangular e pouco funda, com acesso para a sacristia. Lateralmente ao arco‐cruzeiro há dois arcos‐capelas onde foram colocados altares. O corpo está decorado com elementos de estuque a debruar portas, janelas e nichos, ao gosto comum em Macau em meados de Oitocentos. No flanco esquerdo abre‐se uma capela mais profunda, enquanto do lado contrário duas portas comunicam com um compartimento longo, da largura da torre, que deverá corresponder a uma antiga arcada aberta para o exterior, como as de São Lourenço ou de São Domingos.

Pedro Dias

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