Palácio das Repartições

Palácio das Repartições

Díli, Díli, Timor

Equipamentos e infraestruturas

O atual edifício do Palácio do Governo ou das Repartições é assim designado por nele se concentra‐ rem vários serviços públicos e como forma de o distinguir da residência do governador, situada na zona suburbana de Lahane. Fronteiro à Avenida Marginal de Díli, foi erigido na década de 1950, no âmbito do plano de reconstrução levado a cabo pelo governo português na sequência da devastação de que o território timorense fora vítima no decurso da Segunda Guerra Mundial.
O palácio constitui um cenário de frente urbana sobre uma praça cerimonial virada ao mar. Essa função, com usos, funções e cargas simbólicas próprias, precedeu a praça urbana formal. Esta, quando foi desenhada e assumida, replicou simbolicamente a Praça do Comércio de Lisboa, com estátua do Infante D. Henrique ao centro e tendo por limites o Palácio do Governo pelo sul, o mar pelo norte, o Quartel de Infantaria pelo poente e um vazio arborizado a nascente. Formalmente, o edifício recorre ao modelo espalhado pelo império durante a década de 1950. Construção tradicional portuguesa em dois pisos, com telhados de quatro águas e beirados, enfatizando a frente com arcada ao nível da praça e varanda com colunata de pilares e cobertura plana em placa de betão. Ao centro da composição, enfatizando o eixo de simetria, os três arcos centrais e o correspondente troço da varanda superior são porticados citando um peristilo, encerrando‐se a varanda e apresentando três vãos de peito eixados pela arcaria.
Curiosamente, o palácio é composto não por um, mas por três corpos, sendo os laterais ligeiramente reduzidos na sua extensão em relação ao corpo central, pois apresentam quinze arcos (três centrais e seis laterais de cada um dos lados), enquanto o corpo central apresenta dezassete (três centrais e sete laterais de cada um dos lados). Neles os pórticos de peristilo em cada eixo são menos enfáticos, pois mantêm a continuidade da varanda e não ultrapassam a cota do beirado, o que acontece apenas no corpo central.
Todos os corpos se desenvolvem para o tardoz em corpos secundários, perpendiculares ao plano da fachada e também de dois pisos, despidos dos elementos arquitetónicos que compõem a fachada principal, tais como arcarias, varandas e pórticos, apresentando‐se na sua simplicidade formal como elementos que estruturam, enquadram e apoiam, em termos funcionais, as áreas mais representativas que ocupam a frente da praça.
No período que antecedeu a independência de Timor, foram ali instalados os serviços da Missão das Nações Unidas para Timor‐Leste, mais conhecida pelo seu acrónimo inglês UNAMET, sendo o local refúgio de muitos timorenses durante o período de violência que se seguiu ao referendo de 30 de agosto de 1999. Posteriormente, o edifício seria sede da sucessora da UNAMET, a Administração Transitória das Nações Unidas para Timor‐Leste (UNTAET), que cessaria funções em 2002 com a independência. Presentemente, o edifício é a sede do Governo, retomando as funções iniciais de edifício sede do poder político.

Edmundo Alves

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