Liceu Dr. Agostinho Neto [antiga Prefeitura Apostólica da Guiné - Escola de Oficinas de Bissau]

Liceu Dr. Agostinho Neto [antiga Prefeitura Apostólica da Guiné - Escola de Oficinas de Bissau]

Bissau, Guiné-Bissau | Golfo da Guiné | São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau

Equipamentos e infraestruturas

No âmbito das competências do GUU, Eurico Pinto Lopes é o arquiteto responsável pelo projeto para a Prefeitura Apostólica da Guiné que, em 1954, dava continuação ao programa escolar para rapazes na cidade de Bissau. O edifício escolar alberga atualmente o Liceu Dr. Agostinho Neto.

Implantado dentro do perímetro escolar, com entrada pela atual Rua Areolino Cruz, o conjunto é composto por várias alas com apenas um piso. A fachada principal é caracterizada pelo ritmo dos vãos, correspondentes às salas de aula, protegidos por uma pala única que acentua a horizontalidade do edifício. O projeto previa a realização de duas entradas laterais nos cunhais do bloco principal, das quais apenas uma foi realizada, sendo assinalada por dois arcos e uma pequena escadaria.

O edifício foi projetado para um programa complexo que contemplava: aulas (3 salas), refeitório, residência, oficinas (sapataria, alfaiataria, marcenaria, carpintaria, serralharia, encadernação, tipografia), vestiários e sanitários.

As salas de aula localizam-se no corpo correspondente à fachada principal que juntamente com dois corpos laterais formam um conjunto em "U", definindo um amplo pátio. No projeto, as oficinas (não construídas) implantam-se na parte posterior do conjunto, em forma de "pente". A iluminação natural das salas de aula é feita através de janelas de 2,20m de largura, protegidas da forte incidência dos raios solares por uma pala horizontal. Foram ainda realizadas aberturas superiores para a saída do ar quente, devidamente protegidas por ripas de madeira. Uma galeria coberta acompanha todo o perímetro do pátio ajardinado, propiciando espaços de encontro entre os alunos devidamente protegidos dos intensos raios solares.

Estas soluções arquitetónicas evidenciam a preocupação do arquiteto em adaptar o edifício ao clima tropical de Bissau.

Exteriormente, a cobertura em telha unifica os vários corpos contribuindo para uma evidente expressão portuguesa. O embasamento foi construído com pedra da região, tal como previsto na memória descritiva.

Em 2011 o edifício encontrava-se em bom estado de conservação e mantinha a função escolar para o qual foi projetado.

Ana Vaz Milheiro

Os Gabinetes Coloniais de Urbanização: Cultura e Prática Arquitectónica.
(PTDC/AUR-AQI/104964/2008)

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