Residência das Irmãs (Actual Escola Prof. António José de Sousa)

Residência das Irmãs (Actual Escola Prof. António José de Sousa)

Bissau, Guiné-Bissau | Golfo da Guiné | São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau

Arquitetura religiosa

Mário de Oliveira foi o arquiteto responsável pelo projeto do edifício destinado à Residência das Irmãs em Bissau. Projetado em 1948, o conjunto contribuiu para a difusão de uma arquitetura doméstica de cariz nacionalista, evidenciando alguns elementos característicos da produção do GUC, como as arcadas no piso térreo, longas varandas no primeiro piso e coberturas expressivas realizadas em telha.

A localização prevista na memória descritiva deixava em aberto a possibilidade do edifício ficar integrado dentro do recinto do conjunto hospital "ou noutro local conveniente segundo a determinação do Senhor Governador Geral da Colónia".

O conjunto construído corresponde apenas parcialmente ao projeto de Mário de Oliveira, que contemplava a edificação de uma capela que não foi realizada. Atualmente funciona no edifício a Escola Prof. António José de Sousa dos Missionários Franciscanos, cuja entrada principal se realiza pela atual Avenida Domingos Ramos, paralela à antiga Avenida da República (atual Avenida Amílcar Cabral), principal artéria da cidade.

Os interiores do rés-do-chão são protegidos por uma galeria com 2,3 m de profundidade, marcada pelo ritmo das arcadas com 2,6 m de vão, patentes na extensão total da fachada. A entrada principal realizava-se através de um vestíbulo, à direita encontravam-se as salas de visitas e da comunidade. A completar o piso térreo existem duas salas de aulas, de aproximadamente 45 m2 cada uma, comunicando uma delas com uma sala de lavores através de uma porta de 2,5 m, em caso de necessidade de ampliação do espaço. A cozinha, despensa, copa e sala de jantar ocupam, no projeto, a zona tardoz do edifício no piso térreo. O acesso às salas de aula efetuava-se por uma galeria, situada na zona posterior, voltada para o pátio de recreio, e que também permitia o acesso às instalações sanitárias e ao núcleo de escadas para ligação ao piso superior.

No primeiro piso o arquiteto distribuiu seis quartos, ligados por um único corredor, rematado pelo quarto da Madre Superiora, com casa de banho privativa, e pelas instalações sanitárias comuns. De forma análoga ao piso térreo, os interiores do piso superior estão protegidos por uma galeria com o objetivo de evitar a excessiva incidência dos raios solares.

Em 2011, o edifício encontrava-se em bom estado de conservação.

Ana Vaz Milheiro

Os Gabinetes Coloniais de Urbanização: Cultura e Prática Arquitectónica.
(PTDC/AUR-AQI/104964/2008)

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