Sport Benfica e Bissau

Sport Benfica e Bissau

Bissau, Guiné-Bissau | Golfo da Guiné | São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau

Equipamentos e infraestruturas

A Sede do Sport Benfica e Bissau, projetada por Eurico Pinto Lopes e construída em 1955, insere-se no conjunto de infraestruturas desportivas realizadas no âmbito do GUU para a cidade de Bissau.

O edifício conforma um quarteirão da cidade, cuja fachada principal está virada para a atual Avenida Francisco Mendes (paralela à antiga Avenida da República atual Avenida Amílcar Cabral que termina da Praça do Império), ladeado pela Rua Osvaldo Vieira e pela Avenida Cidade de Lisboa na zona posterior.

A linguagem formal do projeto de Eurico Pinto Lopes insere-se no quadro da produção de uma arquitetura de "representação" realizada pelo GUU, ainda que despojada da carga simbólica de um edifício administrativo. O projeto denuncia a herança clara do GUC, em particular dos modelos arquitetónicos definidos pelo arquiteto Lucínio Cruz.

Um pórtico monumental, acentuado por uma escadaria, caracteriza a entrada na fachada principal, marcada por um desenho simétrico. O programa foi distribuído de modo a libertar a grande nave central destinada ao ginásio ou a salão de festas. Às bilheteiras, que se encontram junto à entrada, juntam-se, no vestíbulo principal, o bar e o núcleo de escadas que dá acesso ao piso superior. Um estabelecimento comercial e um espaço de barbearia, com entradas independentes pelo exterior, completam a zona principal. Nos corredores laterais que ladeiam a nave, de duplo pé direito e de aproximadamente 200 m2, concentram-se os balneários, enquanto os camarins se situam na zona posterior juntamente com o palco. No primeiro piso, distribui-se a biblioteca, a sala da direção e a sala de bilhares, com acesso às longas varandas de 23 m de comprimento e de 3,6 m de largura que contornam a nave principal.

Os alçados laterais são marcados pelas entradas secundárias que dão acesso direto aos vestíbulos que antecedem a grande sala e pela horizontalidade das varandas no piso superior. Eurico Pinto Lopes desenvolve o projeto até ao detalhe, desenhando com exaustão os pormenores da fachada principal, e diversos detalhes à escala natural como o corrimão das escadaria principal, janelas e portas que compõem as diversas fachadas contribuindo para um apurado sentido de caracterização dos ambientes interiores, ainda que recorrendo a materiais modestos.

Em 2011, o edifício encontrava-se visivelmente degradado e alterado, sem no entanto perder o carácter e a funcionalidade com que foi projetado em 1955.

Ana Vaz Milheiro

Os Gabinetes Coloniais de Urbanização: Cultura e Prática Arquitectónica.
(PTDC/AUR-AQI/104964/2008)

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