Jardim da Flora

Jardim da Flora

Macau, Macau, China

Equipamentos e infraestruturas

Também conhecido por Jardim Ho Tung, o Jardim da Flora era, originalmente, propriedade do Padre Vitorino José de Sousa e Almeida que aí construiu, no ano de 1848, um palacete desenhado por José Tomás de Aquino, arquiteto macaense. No início da década de 1870 a propriedade, na época localizada nos arrabaldes da cidades, foi vendida ao governo e o palacete foi, temporariamente, utilizado como residência de verão do governador de Macau. No entanto, o facto de o local ser considerado pouco saudável, uma vez que se encontra resguardado dos ventos pela encosta da Colina da Guia, fez com que o Palacete perdesse essa finalidade.

No início da década seguinte, o agrónomo Tancredo Casal Ribeiro implantou viveiros junto ao jardim do palacete. De acordo com a Planta da Península de Macau de 1889, os viveiros situavam-se do lado norte do jardim, no sopé da Colina, e apresentavam uma dimensão considerável. Dali saíram espécimes botânicos para todas as encostas de Macau. Atualmente, este pequeno jardim botânico em conjunto com o jardim pré-existente do palacete e com a Colina da Guia, arborizada entre 1883 e 1885, formam um parque contínuo cuja vegetação se encontra classificada.

As obras de abastecimento de água à península de Macau, nos primeiros anos da década de 1920, impulsionaram um conjunto de campanhas em toda a Colina da Guia para construção de canais de recolha, reservatórios, entre outros equipamentos. O Jardim da Flora não foi exceção e, por se situar a uma cota mais baixa, nele se construíram pequenos edifícios para reservatórios de água, alguns dos quais ainda hoje existem. Sem precisar a data dos acontecimentos, M. Teixeira refere a compra do Jardim da Flora por um privado, Sir Robert Ho Tung, que viria a doá-lo mais tarde ao governo. Sabe-se que, em 1921, já albergava a Direção das Obras do Porto e, em 1924, estava transformado em jardim de infância.

Ao longo do tempo, a área a sul do Jardim da Flora, entre o palacete e o Quartel da Flora, concluído em 1882, foi sendo pontuada por diversas construções de tipologia diversa, que seriam das primeiras décadas do século XX. Na sua maioria destruídas, por ocasião da explosão de um paiol de pólvora em 1931, mas ainda hoje se podem observar algumas construções do século XIX, como a fonte, que se mantêm com pequenas alterações, ou os muros e escadarias de ligação à colina da guia onde se pode ler a data de obras levadas a cabo pelas Obras Públicas: 1925. Para além destes elementos, o jardim contém, atualmente, um campo de jogos, um parque infantil, um jardim de infância e um espaço reservado a jardim zoológico.

Alice Santiago Faria

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