Jardins de Macau

Jardins de Macau

Macau, Macau, China

Equipamentos e infraestruturas

Apesar da crescente pressão imobiliária que tem dominado, ao longo das últimas décadas, a ocupação do território em Macau, ainda subsistem diversas e relevantes infraestruturas verdes. Segundo Manuel Teixeira, o grande promotor da política de arborização de Macau terá sido o governador Tomás de Sousa Rosa (1883-1886), igualmente responsável pela plantação de 60,000 árvores, conforme relato do Conde do Arnoso e documentação oficial da época. A vontade política aliada à presença do agrónomo Tancredo Caldeira de Casal Ribeiro, nomeado para trabalhar em Macau, possibilitaram a arborização da península de Macau, das ilhas da Taipa e de Coloane entre 1883 e 1885, criando assim as principais zonas verdes que ainda hoje existem. De viveiros de Hong Kong chegaram 5,000 pés de pinheiros chineses. Nos viveiros criados por Casal Ribeiro, junto ao Jardim da Flora, foram criadas várias espécies mencionadas no seu relatório de 1855: entre elas, algumas do norte da China (pinheiros e amoreira branca), outras da Índia (figueira da Índia e árvore da borracha) ou ainda espécies vinda de zonas mais próximas, como de Taiwan e do Japão.

A comissão encarregue de estudar o melhoramento da cidade elencou no seu relatório as vantagens da arborização do território, designadamente a melhoria da qualidade do ar e o aumento da permeabilização do terreno. Para além disso, estabeleceram-se dois modelos verdes: um para a cidade, a implementar em jardins e estradas, outro para as montanhas. De acordo com as informações colhidas nesse mesmo relatório, construíram-se ou foram intervencionados diversos jardins públicos que, apesar das diversas transformações sofridas ao longo do tempo, chegaram na sua grande maioria até aos nossos dias. Alguns foram, progressivamente, transformados em praças como o Jardim da Vitória ou o Jardim Vasco da Gama, parte integrante do antigo passeio público, hoje Alameda Vasco da Gama. Outros espaços verdes mantêm a função inicial, embora a sua dimensão se tenha reduzido: entre eles, contam-se o Jardim de S. Francisco, o Jardim da Montanha Russa, o Jardim de Camões e o Jardim da Flora. Aos jardins públicos juntaram-se alguns jardins privados como o de Lou Lim Ieoc, do qual também só resta uma pequena parte.

Em 1985, um século depois, estabeleceu-se o primeiro plano de urbanização. Do conjunto de medidas adoptadas, salientam-se as seguintes: implementação de medidas de proteção do património edificado e, no âmbito de uma nova campanha de arborização, planeamento de um conjunto de infraestruturas verdes que desse origem a um contínuo corredor verde na península de Macau. Na década seguinte as obras avançaram e o governo português realizou um conjunto de intervenções no espaço público do território, contabilizando-se um total de 198 ha de espaços verdes na península de Macau. De todas as intervenções realizadas, realçam-se dois grandes espaços verdes: o Parque Sun Yat Sen (1990) que reconverteu uma antiga lixeira e o conjunto dos Jardins Centrais de Macau (1991-1999) localizado nas zonas do ZAPE (Zona de Aterros do Porto Exterior) e do NAPE (Nova Zona de Aterros do Porto Exterior).

O projeto de "Planeamento da Proteção Ambiental de Macau" lançado, em 2009, pelo governo de Macau tinha como principal objetivo manter as infraestruturas verdes do território. Entretanto, a mais recente legislação publicada relativamente a espaços urbanizáveis faz temer pelo futuro da mancha verde em Macau. Serve para ilustrar o exemplo da ocupação de parte do Jardim das Artes para a construção de um casino.

Alice Santiago Faria

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