Doca D. Carlos I e Oficinas navais

Doca D. Carlos I e Oficinas navais

Macau, Macau, China

Equipamentos e infraestruturas

A Doca El-Rei D. Carlos I, assim designada na época em que foi construída, situa-se na zona da barra da península de Macau. Pelo que se pode observar no conhecido mapa de Macau de 1889, existia uma doca neste local, pelo menos desde 1882. Nesse ano de 1882, foi nomeada uma comissão encarregue de estudar diversos problemas relacionados com a zona do porto interior. A questão da doca da barra foi um dos pontos analisados uma vez que a existência, em seu redor, de construções particulares impediam a sua expansão. Somente em 1890, com a doação de um terreno por parte de um habitante chinês, foi possível desbloquear o processo de construção de uma nova doca. Num dos pilares do portão de acesso à doca pode ler-se que a sua construção decorreu entre 1891 e 1893, subsistindo até hoje a grande maioria dos edifícios.

O projeto, da autoria de Adolpho Loureiro, integrava o Plano de Melhoramento do Porto, apresentado em novembro de 1890. Com um formato quadrangular, ligava-se ao rio a sul antes de se fazerem os aterros entre 2003 e 2005. Do lado oposto, os edifícios que ladeiam a Rua de S. Tiago da Barra são construções simples, de um só piso, caraterizadas por uma linguagem clássica. Na ala sul, localizava-se, pelo menos desde 1889, o Matadouro Municipal, edifício que ainda hoje se pode observar. Fernando David e Silva refere que terão passado a funcionar na doca umas pequenas Oficinas Navais assim como a Capitania do Porto. Segundo o mesmo autor, a Capitania do Porto e a Polícia Marítima e Fiscal transitaram, em 1905, para o Quartel dos Mouros. Em 1909, as Oficinas Navais já se encontravam em pleno funcionamento neste local.

Em 1912, a doca já apresentava sinais de mau estado de conservação, havendo notícias das queixas de Hugo Lacerda, Capitão dos Portos, quanto a essa questão. Pouco tempo depois, entre 1918 e 1920, quando Hugo Lacerda exercia o cargo de chefe da Missão de Melhoramentos do Porto, erguem-se os novos edifícios. Paralelamente à doca, foram construídos três pavilhões destinados às Oficinas Navais e, junto à Rua de S. Tiago da Barra, um edifício para albergar a carpintaria e a direção. No primeiro conjunto ressalta a construção central, com um corpo de dois pisos virado para o rio. Estes edifícios bem como os construídos na primeira fase continuam a ser instalações ligadas ao porto de Macau. O edifício da carpintaria e da direção tem uma fachada mais representativa, virada para a rua, onde se pode ver um escudo português. Na fachada este, existe uma galeria no rés-do-chão que abre o edifício para as docas, permitindo que do segundo piso, onde certamente funcionaria a direção, se controlasse o funcionamento das instalações. Em abril de 2013, o Instituto Cultural de Macau lançou uma campanha de obras de recuperação deste último edifício que se encontrava num estado de degradação muito avançado.

Alice Santiago Faria

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