Escola Capela-tipo

Escola Capela-tipo

Bissau, Guiné-Bissau | Golfo da Guiné | São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau

Equipamentos e infraestruturas

O projeto da Escola Capela-tipo, desenhada por Fernando Schiappa de Campos, e construída entre 1961 e 1963 em Contuboel, insere-se nos princípios gerais defendidos para a Província da Guiné, durante a última fase do Gabinete (DSUH/DGOPC), em relação à construção de uma rede de serviços básicos. Nesta altura, previa-se, em termos de ensino, a existência de uma escola primária e de uma escola de formação acelerada nas diversas povoações. A escola capela-tipo, construída já durante a guerra, veio consolidar um primeiro núcleo de ensino, originário dos anos de 1950, composto por uma escola primária de uma sala, da responsabilidade de uma missão católica (1952).

Deste modo, o arquiteto desenvolve uma tipologia de escola-capela, dotada de uma sala de aula e de habitação para o professor, destinada a ser construída em várias povoações da Guiné. A intenção era a de definir um modelo que fosse exequível simplificando-se a construção, recorrendo à repetição de elementos e a acabamentos modestos, mas duráveis e de baixo custo. O edifício foi projectado para “satisfazer as exigências de um funcionamento normal e corresponder [...] a requisitos de orientação e ventilação”, conforme descrito na memória descritiva. A planta de estrutura modular enfatiza o pragmatismo do projecto. Assim, os dois núcleos são geminados e alinhados o que proporciona, tanto para a escola como para a habitação, uma boa orientação,  iluminação natural e ventilação transversal.

A construção tem um módulo standard de 3,10 metros, que podia variar conforme o material a ser utilizado na construção, facilitando a sua execução e evitando o desperdício. As fachadas denunciam um desenho aprimorado. A cobertura vai ao encontro do mesmo tipo de preocupações e é desenhada com apenas uma água com uma ligeira inclinação, prevendo-se a sua construção com materiais leves, que necessitem de poucos acessórios. Neste caso a escolha recai em placas onduladas de fibrocimento aplicadas sobre estrutura de madeira, no entanto, conforme a disponibilidade dos materiais, a estrutura podia eventualmente ser metálica e a cobertura em alumínio, salvaguardando que em qualquer dos casos deveria permanecer aparente, de modo a evitar a ç de zonas não visitáveis.

Independentemente da solução adoptada em termos de materiais, devem ser contempladas aberturas longitudinais, de modo a facilitar a saída do ar quente, garantindo a ventilação cruzada e o arejamento dos espaços interiores. Este tipo de soluções são um reflexo da aprendizagem de Schiappa de Campos na Architectural Association, onde frequentou o Curso de Arquitectura Tropical (1958) ministrado por professores como Maxwell Fry e Jane Drew (antigos colaboradores de Le Corbusier em Chandigarh), ou Otto Koenigsberger.

O arquiteto teve ainda a preocupação de definir a envolvente do edifício como uma parte integrante do projecto. Para tal, optou por uma arborização com espécies de arbustos e árvores de forma a tornar o conjunto “verdadeiramente atraente”, evidenciando desta forma a importância dada aos espaços livres para recreio e para possíveis aulas ao ar livre, que deveriam estar devidamente abrigados pela sombra das árvores. A Escola capela é hoje residência do inspetor e armazém escolar.

Ana Vaz Milheiro

(projeto GCU, FCT ref.ª PTDC/AUR-AQI/104964/2008)

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