Farol (Macúti)

Farol (Macúti)

Beira, Sofala, Moçambique

Equipamentos e infraestruturas

Inicialmente, foi construída a "Torre do Chiveve", em madeira e zinco, em 1891. Esta teve pouca duração enquanto farol, já que após a construção da "Torre da Ponta Gêa", construída nos mesmos materiais, um ano mais tarde, deixou de ter essa serventia, ainda que uma luz encarnada, colocada no seu topo, servisse para indicar a localização do ancoradouro. Em dezembro de 1893, foi adaptada a observatório, ficando como sede dos Serviços Meteorológicos do Território de Manica e Sofala, assim funcionando até 1908. A "Torre da Ponta Gêa" funcionava então como baliza, estação semafórica e farol. Esta última viria a cair na madrugada de 11 de fevereiro de 1918, pela ação do mar, em virtude de "ter cedido a ligação de alvenaria entre as estruturas metálicas e as estacas de madeira da fundação".
Em 5 de maio de 1903 foi aprovado o projeto para a construção do Farol do Macúti (bairro a sudeste da cidade), sendo este constituído por uma torre troncónica com vinte e oito metros de altura, com um farol de rotação com o alcance de dezoito milhas. A construção foi efetuada pelo engenheiro Carlos Roma Machado de Faria e Maia, tendo sido inaugurado a 2 de janeiro de 1904. Uma descrição da época apresenta-o do seguinte modo: "É este formado por um corpo inferior de 11,4 m de frente em quadrado, com um andar dividido em 6 quartos que servirão para habitação dos faroleiros, e ainda para oficinas e depósito de petróleo e luzes. Ao meio do edifício levanta-se a coluna central do farol com 14 m de altura formada por duas partes, sendo a inferior, até 5 metros, de betão Coignet na sua totalidade, com degraus de madeira embebidos nas paredes, e estando a coluna ligada às paredes exteriores por meio de barras de ferro que passam sob os degraus. Acima do pavimento do terraço, a parte central é de ferro e tijolo e ainda superiormente à parte da torre de alvenaria, fica uma câmara de ferro e tijolo de forma de decágono, com 2,50 m de altura, na qual está alojado o maquinismo de rotação das lâmpadas e o maquinismo do peso, ao qual serve de vão para a sua queda, a coluna de ferro central. [...] Na câmara inferior existe uma porta que dá comunicação para a varanda e que serve para se executar a manobra do mariette, ficando este colocado num mastro, com a respectiva verga, embebido na parte superior do tubo médio. [...] Nos subterrâneos do edifício há ainda quatro vãos destinados a depósitos de petróleo, ferramentas e água, tendo sido construída na retaguarda uma pequena casa que servirá para arrecadações, para abrigo dos indígenas em serviço do farol e ainda para cavalariça." (Revista de Manica e Sofala, Lisboa, ano 1, n.o 1, 1904, p. 3 e segs.).
Em fevereiro de 1918, a lanterna foi desmontada devido ao perigo em que se encontrava o farol, em resultado da erosão que se fazia sentir naquele local. Estava equipado com uma lâmpada de 50.000 velas, da casa Chance Brothers, de Londres, possuindo pára-raios, mastro de sinais, sereia acústica e uma linha telegráfica que o ligava à Capitania dos Portos.

António Sopa

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