Estação Terminal do Caminho‐de‐Ferro de Benguela

Estação Terminal do Caminho‐de‐Ferro de Benguela

Lobito [Lubito, Olupitu], Benguela, Angola

Equipamentos e infraestruturas

Obra por Viriato Cassiano Branco (1897‐1970), de 1938, insere‐se na linguagem da arquitetura modernista, que, numa primeira fase do Movimento Moderno internacional, se praticou em Portugal sobretudo entre 1930 e 1940. Reconhece‐se pela volumetria, constituída por formas geométricas puras (prismas e cilindros), pela ausência de elementos decorativos, pelo uso do betão armado em superfícies lisas, rebocadas e pintadas. O corpo edificado, alongado, exibe amplos vãos de acesso e iluminação, com uma sugestão classicizante de pilastras. As palas em betão, salientes, que os sobrepujam introduzem a dimensão inovadora.
O edifício tinha uma implantação em forma de L chanfrado, que se inscrevia no desenho geral do mesmo autor para a antiga Praça Salazar. O projeto original compunha‐se de uma sequência de volumes justapostos, autonomizados exteriormente pela distinta altimetria e pelo desfasamento dos planos verticais das fachadas exteriores, formalmente unificados pelo desenho do embasamento, escadarias, fenestrações, grelhas de ventilação e palas de proteção solar. A entrada e o átrio principais, contidos no volume maior oblíquo, eram também assinalados pela torre do relógio axial, enquanto a entrada para os indígenas se fazia pelo topo poente do edifício. Da versão original do projeto apenas foi construído o segmento paralelo à marginal da baía.

Elisiário Miranda

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