Forte de São João Batista

Forte de São João Batista

Ouidah [São João Batista de Ajudá], Guiné-Bissau | Golfo da Guiné | São Tomé e Príncipe, Bénin/Benim, ex‐Daomé

Arquitetura militar

O aspecto do forte que hoje existe deverá pouco à fisionomia original. Em 1785 já se encontrava muito arruinado. Não tinha ainda bastiões redondos, como se verifica na descrição de Isert, que compara entre si os três fortes de nacionalidades diferentes, então existentes no lugar : "O forte francês é o que está melhor conservado, e o português o que está em pior estado. O primeiro tem bastiões redondos (...) os bastiões dos outros fortes [inglês e português] são quadrados" (P. E. Isert, Voyage en Guinée et dans les Îles Caraïbes en Amérique, 1785, cit. por Sinou, 1995). O forte português, implantado numa espécie de plataforma que aproveita uma ligeira proeminência morfológica do lugar (ficando assim sobranceiro ao caminho que se dirige em direção à praia, a cerca de três quilómetros, depois de passados os obstáculos das formações lagunares paralelas à linha de costa), foi aí construído depois de arrasada, por ordem do rei de Ajudá, a povoação que havia no sítio, "fazendo trabalhar mais de 50 vassalos seus com mando a todos que dentro de três dias ficou tudo demolido e desentulhado" ("Documentos dos Arquivos Portugueses que Importam ao Brasil", 1946, ns. 12‐14). Dos vários fortes construídos no Benim pelas potências europeias, o português é o único cuja arquitetura militar e defensiva se conservou. Destruído por um incêndio, que lhe foi posto por ordem do governo de Lisboa, ao ser abandonado em 1961, data em que o governo do Benim o ocupou, foi em 1964 recuperado e transformado em museu histórico, servindo o edifício central como sala de exposições. Do ponto de vista técnico ou estilístico, não apresenta especial motivo de merecimento. O que subsiste em Ouidah, que, até 31.07.1961, era constitucionalmente considerado território português, evoca algumas importantes particularidades da recente história colonial. O edifício tornou‐se assim testemunho de um passado comum e símbolo do papel conciliador que um objeto patrimonial carregado de história pode desempenhar para os países que nele estiveram envolvidos. A cerca murada alberga um pequeno grupo de sepulturas trasladadas do cemitério que ocupava um talhão do interior. O pátio ostenta um ingénuo arranjo com as armas nacionais portuguesas, pintadas, em tamanho desproporcionado, na própria fachada da reconstrução (algo apressada) do corpo de entrada.

João de Sousa Campos

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