Convento de Santo Agostinho

Convento de Santo Agostinho

Esfahan [Aspão, Isfahan, Ispaão], Golfo Pérsico | Mar Vermelho, Irão

Arquitetura religiosa

A província de Esfahan é uma das trinta províncias do Irão. Localizada no centro do país, a sua capital é a cidade de Esfahan. A província limita, ao norte, com as províncias de Markazi, Qom e Semnan; ao sul, com a de Fars e a de Kohkiluyeh e Boyer Ahmad; a este, com a de Yazd; e a oeste, com a de Lorestan e as de Chahar Mahaal e Bakhtiari. A cidade de Esfahan, conhecida na antiguidade por Aspadana, é considerada por alguns autores como um museu da arquitetura islâmica, dada a significativa concentração de monumentos. A cidade atingiu o apogeu no século XVI, durante a dinastia Safávida, tornandose neste período capital da Pérsia pela segunda vez. No reinado de Abbas I (15871629) intensificaramse as relações comerciais com os portugueses, sendo autorizadas as missões católicas no Irão. De acordo com Roberto Gulbenkian, em 1601 Filipe III de Espanha escreveu uma carta ao rei da Pér sia acerca da formação de uma coligação militar con tra os turcos. O referido monarca havia prometido ao rei persa que lhe enviaria canhões, bem como outro tipo de armamento e, em contrapartida, o rei da Pér sia permitiria a evangelização no seu reino. Neste âmbito, foi organizada uma embaixada constituída por religiosos, da qual faziam parte os portugueses Frei António de Gouveia e Frei Jerónimo da Cruz, bem como o castelhano Frei Cristóvão do Espírito Santo, todos eles pertencentes à Ordem de Santo Agostinho. Desta missão resultou, por um lado, o compromisso do rei da Pérsia em principiar uma campanha militar contra os turcos e, por outro, a fundação do Convento de Santo Agostinho, o primeiro edificado por religio sos europeus na cidade de Esfahan, na corte do xá Abbas I. O monarca persa, tendo reparado no interesse da embaixada portuguesa pela cristandade e no trunfo que isso representava para as suas negociações com os príncipes cristãos, escrevia a Filipe III: "Favoreço aos cristãos em tudo e quero que todos eles bem como os portugueses vão e venham sempre de suas terras às minhas e em eu os favorecer e ajudar não me escusa rei em nada".
Um documento publicado por António da Silva Rego refere que o rei mandou edificar uma igreja e uma casa para habitação dos religiosos. Assim, cerca de 1603, é fundado o convento da Ordem de Santo Agostinho na cidade de Esfahan, o décimoterceiro que estes religio sos tiveram no Oriente, sendo Frei Cristóvão do Espírito Santo o seu primeiro prior. O edificado inicial aparece referenciado, na obra acima mencionada, da seguinte forma: "He piqueno o Convento, mas muito perfeito: a igreja tem por orago a Nossa Senhora da Assumpção". De acordo com Frei António de Gouveia, em 1608 a igreja teria melhorado o seu aspecto, em virtude da visita do xá e da sua corte no dia de natal do referido ano, salientando a decoração da mesma e o pavimento coberto de tapeçarias. Alguns anos mais tarde, os agos tinhos foram autorizados a edificar uma nova igreja nos terrenos do palácio real, tendo sido colocada a primeira pedra na presença do arcebispo arménio e dos dignitá‐ rios muçulmanos da corte. Esta obra foi patrocinada pelo monarca persa e por diversos comerciantes cris‐ tãos, entre os quais Jácomo do Couto e o padre Bernardo de Azevedo. O viajante francês Daudier Deslands, em visita à cidade, em 1665, menciona a grandeza da igreja e das instalações conventuais, considerando‐as exageradas para as necessidades locais, referindo também que o convento ficaria bem em qualquer cidade de França. No ano de 1622, a perda de Ormuz, com o consequente enfraquecimento das forças portuguesas no Golfo Pérsico, e a criação da Sagrada Congregação da Propaganda Fide pelo Papa Gregório XV afetaram significativamente as atividades dos missionários portugueses da Ordem de Santo Agostinho na Pérsia. Este convento foi partilhado com carmelitas descalços e até com padres da Companhia de Jesus, verificando‐se em 1750 o encerramento do Convento de Santo Agostinho em Esfahan, por falta de pagamento das dívidas, que se tornaram insuportáveis. Ainda de acordo com Roberto Gulbenkian, não é possível a identificação atual da localização deste convento.

Ana Margarida Martinho

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