Fortaleza Real de São Filipe e Sistema de Fortificação da Cidade

Fortaleza Real de São Filipe e Sistema de Fortificação da Cidade

Ribeira Grande [“Cidade Velha”], Ilha de Santiago, Cabo Verde

Arquitetura militar

Do sistema defensivo da Ribeira Grande destacam‐se duas épocas distintas de instalação, que correspondem a duas escalas de defesa que caracterizaram a cidade. A primeira época está ligada aos elementos inicialmente erigidos, tendo em vista somente a defesa do porto e da cidade; a segunda corresponde a um sistema mais complexo, com vista à defesa do mar e do território. Um dos elementos mais emblemáticos deste sistema é a Fortaleza Real de São Filipe, situada na parte mais alta, à cota de cem metros. A planta é atribuída a Filipe Terzi e a construção ao mestre de obras João Nunes. A fortaleza apresenta uma planta poligonal de traça abaluartada, com duas fachadas voltadas à campanha e duas frentes muralhadas com parapeitos de tiro, voltadas à cidade. Tem um baluarte ao centro, voltado a nascente, e dois meios‐baluartes com orelhão nos extremos opostos das cortinas. O início da construção é de 1587 e ficou concluído em 1593. Luís Benavente, enviado pelo Estado português para intervir no restauro dos monumentos locais, considerou a intervenção na fortaleza prioritária. No seu relatório de 16.10.1962, incluía um mapa global da Cidade Velha da Ribeira Grande e da Fortaleza de São Filipe. Aqui definia um programa para as "Construções Interiores da Fortaleza Real de São Filipe", com reconstrução ou nova construção, que incluiria a Casa do Governador da Praça, a Casa dos Oficiais e da Guarda, a Cisterna, a Rampa da Artilharia e a Casa da Guarnição/Abrigo para a Juventude. Conhecem‐se desenhos para as respectivas obras, com projetos já de época posterior (30.12.1969), orientados para a "reabilitação", do ponto de vista do "seu restauro e da sua reposição como ambiente fortificado". No local, em inícios dos anos 1990, podiam constatar‐se os resultados do restauro das muralhas de São Filipe, que deviam corresponder, tanto quanto de sabe, à campanha do projeto de Luís Benavente (com obras realizadas entre 1969 e 1973); mas o estado das ruínas no interior do forte, de que apenas se reconhecia o volume da cisterna, não permitia ajuizar da realização ou não do restante programa. De qualquer modo, em fins de 1972, durante as obras, Luís Benavente referia que, em função da descoberta da antiga capela, iria refazer o projeto (presume‐se que da casa do governador). Atualmente a fortaleza encontra‐se em excelente estado de conservação, após as sucessivas obras de consolidação e restauro realizadas nos últimos anos.

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