Castelo

Castelo

Beni Boufrah, Torres Al-Qal’a [Akla/Torres de Alcalá], Norte de África, Marrocos

Arquitetura militar

Em 1981, Patrice Cressier deu conta de uma série de estruturas fortificadas, algumas das quais atribuiu aos portugueses. A sua obra, que nunca foi publicada, só era comentada e discutida nos meios académicos e entre especialistas. Como se refere na entrada relativa a Azrou Maheli, no início do século XVI teria existido, na região compreendida entre Velez de la Gomera, de uma parte, e Melila e Caçaça, da outra, um conjunto de obras fortificadas controladas pelos portugueses, as quais, pelo Tratado de Sintra de 1509, foram abandonadas aos espanhóis.
A mais importante dessas fortalezas localizava‐se em Beni Boufrah, junto à costa do Mediterrâneo, e as suas ruínas ainda há pouco tempo eram visíveis. Segundo parece, esta fortaleza assinalaria o limite oriental da presença portuguesa na costa do Mediterrâneo e seria uma das janelas que controlavam o tráfego marítimo, assegurando uma possibilidade de ligação com o interior.
Cressier atribui aos portugueses esta estrutura, em vista do material usado, da forma das torres, do plano da fortaleza e do modo de implementação do conjunto. Estes elementos e as cerâmicas que ainda são visíveis parecem apontar, segundo este autor, para uma ocupação de finais do século XV, que confirma as suas opiniões de origem portuguesa.
O forte apresenta uma plataforma em pedra e uma muralha apoiada em cinco torres. Tem a forma de um quadrilátero irregular, com cerca de vinte e seis metros em cada lado. O muro virado a norte apresenta ainda uma espessura de 1,60 metros, enquanto o do lado sul, já num estado muito degradado, apoia‐se num afloramento rochoso. Quatro das torres reforçam os cantos da fortaleza, enquanto a quinta delimita a entrada e notam‐se alguns traços de uso de madeira. Estas torres, já bastante destruídas, teriam um diâmetro exterior de 5,50 metros e alturas muito variadas e adaptadas às cotas do terreno. Cressier determinou a altura das torres, chegando às seguintes medidas: 5,70 metros (torre noroeste), de 4,50 metros (torre nordeste), 4,50 metros (torre este), 7,50 metros (torre sudeste) e três metros (torre sudoeste). À maneira portuguesa, o enchimento das torres é composto por materiais heterogéneos e com a utilização da técnica de cofragem.
O conjunto, que, segundo todos os testemunhos, projecta uma percepção de solidez, encontra‐se num estado geral de avançada degradação. As dúvidas que esta - e outras - estruturas levantam só serão ultrapassadas com um estudo sistemático e, em especial, uma campanha arqueológica.

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