Forte

Forte

Azrou Maheli, Norte de África, Marrocos

Arquitetura militar

Segundo Patrice Cressier, que se baseou para a localização e identificação de vários lugares do norte de Marrocos nas respostas a um inquérito arqueológico de 1948, neste lugar foram encontrados vestígios de uma estrutura fortificada construída pelos portugueses. A localidade encontra‐se nas proximidades de Tafarsit, a norte de Medir, na estrada N2, que corre no interior, entre as cidades de Al Hoceima e Melilla.
Cressier identificou esta estrutura como de origem portuguesa, como o fez com outras (Meccó, Dahar Entegusef, Azrou Udequeden e Torres de Alcalá - Beni Boufrah), a partir de critérios arqueológicos, nomeadamente a comparação dos materiais de construção, a análise das formas das torres e dos planos e a observação dos modos de implementação, aspectos em que é reconhecido especialista.
A referência, no inquérito de 1948, a um "fortim", ou seja, pequeno forte, tende a consolidar a ideia de que as estruturas poderiam ser simples atalaias, integrando um sistema defensivo, exceto no caso de Torres de Alcalá, pois, aqui, estamos em presença de um verdadeiro forte cuja planta conhecemos.
No estado atual dos nossos conhecimentos, ainda não é possível dar uma resposta plenamente satisfatória quanto ao conjunto de estruturas defensivas referidas, identificadas como sendo de origem portuguesa. Por duas ordens de razões: a primeira relaciona‐se com o facto de muitos portugueses, com conhecimentos técnicos suficientes para orientarem a construção de fortificações, terem servido o reino de Fez, quase desde os primeiros momentos da presença portuguesa no Norte de África, e continuaram a fazê‐lo depois do abandono pelos portugueses de muitas dessas praças.
Por outro lado, sendo o critério da datação relevante, importaria desenvolver mais trabalhos de prospecção e até algumas escavações, com o objetivo de ajudar a remover as dúvidas em saber que sistemas de poder serviam.
Em segundo lugar, muitos indícios indicam que, até 1509, os portugueses mantiveram uma presença significativa na região de Nador, na área envolvente de Velez de la Gomera e Melilla. Pela leitura dos tratados das Alcáçovas (1479), de Tordesilhas (1494) e de Sintra (1509), percebe‐se a preocupação dos reis de Portugal e Castela em demarcarem as fronteiras do reino de Fez, com vista a definir as respectivas zonas de influência, já que, desde as Alcáçovas, Portugal tinha direitos de conquista sobre este reino de Fez. Em 1509, de acordo com o documento do tratado, os portugueses mantinham os seus direitos, mas comprometiam‐se a abandonar todos os pontos que controlavam, numa região que ia de Velez de la Gomera até Melila e Caçaça. Damião de Góis conhecia essa situação e testemunhou a situação da seguinte forma: "Neste anno de M.DVIII ... dom Emanuel soltou ha cõquista que era destes Regnos, desno lugar de Belez da Gomeira, atte Melila, & Caçaça, com todalas pouoaçõesq na dita costa há..."(Góis,II,p.92).
Outros locais, nomeadamente Meccó, Dahar Entegusef, Azrou Udequeden e Beni Boufrah, parecem fazer parte do conjunto de estruturas existentes na região.

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