Escola Comercial Pedro Nolasco

Escola Comercial Pedro Nolasco

Macau, Macau, China

Equipamentos e infraestruturas

Projetada em 1963 pelo arquiteto Chorão Ramalho, constitui uma das obras‐primas da arquitetura moderna de Macau. Foi inaugurada em 1969. Hoje funciona ali a Escola Portuguesa de Macau. Foi concebida a partir de uma organização muito clara e moderna de volumes, que se dispõem em L, formando um pátio recolhido e ajardinado e libertando o restante espaço para o campo desportivo, situado junto ao ginásio. A linguagem é assumida aparentemente como sequência das opções construtivas feitas de acordo com a modulação estrutural. Contudo, Chorão Ramalho alia a este pragmatismo construtivo uma atenção especial aos condicionalismos locais, do clima às condições térmicas e ao modo de viver que descobre em Macau.
Talvez por isso, esta obra é o resultado de um perfeito entendimento com o espírito do lugar, o que o próprio designava por um "lugar português no Oriente", um lugar de cruzamento de culturas antigas que se absorveram mutuamente. Arquitetonicamente, o edifício aposta na divisão do programa em volumes intercalados com pequenos auditórios, pátios cobertos e pátios‐jardins, relacionados entre si através de pérgolas em betão, fomentando o surgimento de espaços de lazer, convívio e estudo fora das salas de aula, resguardados do clima e proporcionando um ambiente de beleza e "tranquilidade oriental".
O tema do espaço de transição, conceito aliás perfeitamente adequado ao clima de Macau, é desenvolvido a partir da relação entre interior e exterior, entre público e privado. Particularmente nos pátios, propôs um tratamento do espaço exterior com uma forte estruturação da noção de profundidade. Para além disso, procurou uma aproximação ao lugar: aprofundando com rigor os detalhes; interpretando os elementos de construção e as técnicas regionais (persianas, textura dos empedrados em seixo rolado); ou valorizando a importância da vegetação. Foi capaz de integrar subtilmente soluções arquitetónicas da tradição local, ao mesmo tempo que afirmou um carácter forte, contido na marcação arquitetónica.
Esta obra marca um novo entendimento do projeto, que sem deixar de ser contemporâneo anunciava pioneiramente preocupações de contextualização, de ligação ao envolvimento natural. Chorão Ramalho utiliza aqui, de um modo crítico, valorizando a preexistência ambiental e cultural, a linguagem filiada no movimento brutalista da década de 1960, recuperando os materiais tradicionais.

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