Arquitetura Militar

Arquitetura Militar

Diu, Guzerate, Índia

Arquitetura militar

Além de escassos elementos pontuais - os fortins situados em Brancavará (1774), Monacavará, Naroá (1744) e Gogalá - o impressionante sistema fortificado de Diu é composto essencialmente por três elementos: a cerca gujarati preexistente, que encerra a área urbana da cidade do resto da ilha; o Baluarte do Mar - ou Panikotha - um forte plantado no meio da entrada navegável do canal que separa a ilha do continente; e a fortaleza erguida no extremo nascente da ilha. Impressionante não apenas pela expressão e dimensão, mas por deter um conjunto de característcas inusitadas e por se ter preservado o suficiente para ainda se ter uma boa percepção de que como foi pensado, executado e utilizado. A muralha urbana preexistente cercava a cidade pelo lado de terra e do canal, sendo que do lado do mar apenas uma enseada necessitou da construção de dois baluartes (sendo um o dos Excomungados) e cortinas, pois o resto da costa era alcantilada e, assim, impossível para o desembarque. De tudo isso resta apenas o longo tramo que se estende do canal ao mar. Sofreu diversas intervenções portuguesas, muito em especial a reforma empreendida entre 1570 e 1574 que nela ficou epigrafada e deu lugar a que muitos tudo consideras- sem português. Não foram, contudo, reformas estruturais, que lhe tenham alterado a expressão, sendo particularmente marcante a abertura de duas portas além da única até então existente. Uma terceira seria aberta mais tarde. Na porta primitiva, a do Campo, foi introduzido um aparelho decorativo que a cristianizou. Pese embora a sua marcante presença atual, é no entanto necessário fazer um esforço para imaginar a sua totalidade na origem, para o que a "Tavoa de Dio", inserida no Roteiro de Goa a Diu de João de Castro dos primeiros meses de 1539, será o melhor ponto de partida, mas à qual é necessário juntar, pela clareza do traçado planimétrico, os conhecidos levantamentos gerais da cidade de 1783 e 1833 (> entrada anterior). A expressão global era claramente medieval, com dezoito torres indiferenciadamente quadradas e semi-circulares e, segundo o Livro das Cidades e Fortalezas... (1582) e a referida cartografia, teve uma cava inundável trinchada em rocha. Os panos são altos, com planos jorrantes até meia altura, e a Porta do Campo tem um sistema decorativo de clara inspiração gujarate. O Baluarte do Mar já existia à data da instalação militar portuguesa em Diu. Foi, aliás, o primeiro posto cedido pelo sultão aos portugueses, o qual funcionou então como alojamento das chefias. Porém, com exceção para o seu perímetro alongado, a sua feição atual deve a expressão a diversas intervenções posteriores ainda por apurar, estudar e estabelecer. É muito provável que a parte que se mantém mais próxima da versão original corresponda ao corpo mais largo e arredondado, situado a este, tendo a estrutura mais regular e alongada, que o prolonga para oeste - uma couraça - sofrido mais alterações, a mais determinante em 1587. Na articulação entre os dois está hoje um torreão - aliás encimado por um farol - que poderá muito bem ser uma reminiscência da torre de base quadrada claramente representada no desenho de João de Castro acima referido e também por ele detalhadamente descrita no respectivo texto. No fundo, assume a silhueta de um navio de guerra fundeado no meio da entrada no canal, bem frente ao cais de acesso à fortaleza e ao seu antigo centro de comando: a Casa do Capitão, pelo que não só protegia a entrada do canal e a cidade, mas também o ponto mais sensível da fortaleza. Tinha, aliás, uma outra articulação defensiva com a fortaleza, a qual é bem descrita por Fernão Lopes de Castanheda (1552-1561): Diu "da banda da terra tinha h~u baluarte fundado nagoa, de que atravessava h~ua cadea de ferro muyto grossa aos muros da cidade, que se levantavam e abaixavam com cabrestãte e cõ ella se çarrava ho porto de maneyra que as náos questauã detro ficauão muito seguras e não podião entrar nele outros estrangeyros sem lhe abayxarem a cadea." Uma forte estacada de madeira sobre um molhe artificial preexistente, desenvolvidos entre o Baluarte do Mar e a Península de Gogolá, resolviam o problema do acesso pelo lado norte do mesmo, dispositivo reforçado pelo baluarte redondo que os portugueses cedo - em 1538 - ali ergueram, depois de terem arrasado uma muralha preexistente. A construção da muralha urbana e do Panikotha devem‐se, muito provavelmente, à iniciativa de Meliqueaz (Malik Aiyaz), o governante de Diu à data dos assédios e da ocupação portuguesa, pois como relatou João de Barros na Década Segunda da sua Ásia "era homem experto, e prudente, com sua industria a fez tão celebre, per trato de mercadoria, que alem do que cada hum anno pagava a El‐Rey de tributo, se fez um riquissimo homem, com que fortaleceo e nobreceo a Cidade de muros, torres, e baluartes principalmente depois que nós entramos na Índia." Porém, o que fez a diferença para o verdadeiramente excepcional do sistema defensivo da cidade de Diu não foram essas obras gujaratis, mas a fortaleza que os portugueses começaram a erguer em 1535 no extremo oriental da ilha e da cidade. Existia ali um dispositivo do sistema defensivo instalado sob o comando de Meliqueaz. Gaspar Correia refere uma "torre da barra, que está defronte do baluarte do mar". Em nossa opinião, o que surge representado no desenho de João de Barros e cuja construção não é referida por nenhum dos cronistas, já lá estaria quando os portugueses se lançaram na formação - pois assim não foi uma construção integral - da fortaleza. Tal consiste, precisamente, num dispositivo de terraços e cais - uma espécie de dois baluartes que, na sua algo confusa descrição de 1539, João de Castro cataloga como couraças e lajes - articulados por uma alta torre do lado do canal frente ao Baluarte do Mar. Por ali, num sistema que controlava a entrada da barra, teria, segundo Lopo de Sousa Coutinho, funcionado entre 1514 e 1521 a primeira feitoria portuguesa. Como veremos, todo esse sistema foi reformado pelos portugueses em meados da década de 1540, dando‐lhe a configuração que ainda hoje apresenta. O processo histórico que levou à instalação portuguesa em Diu ficou já atrás minimamente esclarecido: as fontes, a cartografia e iconografia e os trabalhos dados à estampa sobre esta fortaleza são muitos e prolixos. A epigrafia é particularmente relevante para a datação e responsabilização pelas ações, fazendo com que na realidade este conjunto edificado conte a sua própria história. Tudo isso facilita o conhecimento, mas dificulta a seleção do que de essencial aqui é imperativo registar, até porque, independentemente de apresentarmos mais alguns contributos, continua por apurar de forma cabal a correspondência entre o existente e as fases da sua concretização, para o que contribui mormente a alteração de designação sofrida pelos baluartes ao longo dos tempos. Optámos por registar a informação suficiente para se perceber como é que, de uma forma geral, o sistema se conformou - o que ocorreu no século XVI - deixando de lado os detalhes respeitantes aos seus ajustes desde então. Essa ponta da ilha tem, como a cidade, um solo rochoso, que se eleva numa plataforma sobre a linha de água do mar e do canal. A configuração triangular ditou a forma da fortaleza, tal como a evolução da arte de fortificar ditou a sua expressão, a qual deve muito da sua especificidade ao facto de ter evoluído mais por adição que por substituição, renovação ou reforma. Mas também é devedora do facto de as cortinas exteriores terem prolongado a falésia, que por sua vez também foi adossada, de modo a que umas e outras se tenham fundido funcional, construtiva e paisagisticmente. No fundo, muita da imponência do sistema deve‐se ao acentuar da escarpa construída pela escarpa natural, o que é particularmente evidente nos dois fossos que artificialmente ligaram o canal ao mar, isolando o conjunto de terra e servindo de pedreira à obra. Uma vez feito o acordo com o sultão, em setembro de 1535 Martim Afonso de Sousa - o negociador e comandante português no terreno, ainda que o próprio governador, Nuno da Cunha, também ali tenha estado - ordenou a abertura de uma cava ligando o canal ao mar, fazendo assim uma ilha artificial no extremo da Ilha de Diu. Foi uma tarefa árdua, que implicou a escavação de um fosso em rocha numa profundidade superior ao habitual, pois a altura da superfície do terreno em relação a um nível inundável em qualquer maré em alguns pontos chega aos oito metros. Como veremos, seria repetida pouco mais de uma década depois. No mês seguinte marcou‐se a fortaleza, cuja construção teve início formal no dia de São Tomé, 21 de dezembro, com o lançamento da primeira pedra do baluarte com essa designação pelo próprio Nuno da Cunha. Com o tempo, passaria a ser a designação do conjunto e da igreja matriz, enquanto o baluarte passava a ser designado como Cavaleiro, por ser o mais proeminente do conjunto. O processo foi descrito por alguns autores, entre os quais Lopo de Sousa Coutinho no Livro primeiro [e segundo] do [1.o] cerco de Diu que os turcos poseram à fortaleza de Diu (1556), a quem passamos a palavra, pois é bem mais claro do que lograríamos ser: "Lãçouse hu pano de muro da costa do mar a hu alto q se ali faz, & sobre elle se fundou hu grande & fermoso Baluarte redõdo entulhado, o ql tinha noveta palmos e diâmetro: & fezse pouco mais alto q o outro muro: & pos se lhe nome São Tome, por ser começado em seu dia. E dali se estendeo outra vez ho muro dereyto ao rio: & antes q chegasse a agua tres ou qua‐ tro lanças acabou, fazedo outro grã Baluarte, q tinha sessenta palmos e diâmetro, & pos se lhe nome o de Santiago [depois Baluarte de Menagem]: & antre estes dous baluartes, junto deste menor, ficou a porta da fortaleza cõsua couraça, de rosto pera a cidade. Foy o muro de grossura de. xxvij. & xviij. Pees: & de alto vinte &. xxij a fora peyturil & ameas: cõ sua cava: a qual vinha acabar de fenecer a meo rosto do Baluarte menor, q està ao rio. Assi q ametade do dito Baluarte ficou sem cava, porq o sitio abayxa ali tãto, q casi fica no andar do rio. E assi mais ficou sem cava toda aqlla parte q cae sobre o rio, des o dito Baluarte até a feytoria velha. No qual espaço o dito rio nã chega ao muro senã de aguas vivas. E todo o outro tepo fica duas lanças ou mais afastado. E neste espaço q digo, pouco distante do dito Baluarte menor, se fizera as casas pera os capitães da dita fortaleza. As quaes nã acuparam todo o dito espaço [...]. O chão que acupa a dita fortaleza é em figura triangular. Em o meyo della avia hu gram cavouco, no qual depois e tepo de António da Silveyra ser capitão, se fez hua grã cisterna." O que nos surge na "Tavoa de Dio" corresponde a essa primeira versão da fortaleza - que, como vimos, integrava estruturas preexistentes - tudo ainda com uma feição marcadamente medieval e sem ocupar o extremo do triângulo, uma ponta baixa, mas rochosa, que entrava na água, onde mais tarde veio a ser feita a Couraça Grande com o seu baluarte. Foi a estrutura acima descrita por Lopo de Sousa Coutinho, com muros com cerca de nove metros de espessura, que resistiu ao cerco de agosto a novembro de 1538, que a deixou em muito mau estado, o que fez com que não pudesse ser aceite como solução definitiva, embora lá permaneça, inclusive com a primitiva Porta de Terra, hoje servindo apenas de acesso à ponte que atravessa o fosso inicial, que também veio a ficar no interior do sistema. No miolo, frente ao local onde esteve a Matriz de São Tomé (erguida logo em 1536) e junto ao barranco que ocupa uma área considerável do espaço disponível e pelo qual se fazia o caminho até aquela porta, lá está a cisterna feita por António da Silveira "que levava cinco mil pipas dagoa, muy bem lavrado edifício." Em 1635, António Bocarro referiu vinte e quatro mil, pelo que será uma outra. Aliás, a cartografia mais recente denuncia a existência de várias cisternas. Após esse primeiro cerco, sob o comando do novo capitão de Diu, Manuel de Sousa de Sepúlveda, procedeu‐se à reconstrução do dispositivo inicial, alargando‐se para o dobro o respectivo fosso. Mas não só, pois foi revisto o sistema de defesa e acesso por terra e mar - a entrada da barra - através da construção de um com‐ plexo dispositivo na frente para o canal, que pouco aproveitou as plataformas gujaratis que já serviam o Paço do Capitão e a feitoria. Foram então erguidos os baluartes de São Jorge (1542) e Santa Teresa (1544) a entrada sobre a meia‐laranja, a couraça, as portas, o cais, a ponte sobre a cava, etc. Hoje o mais interessante de toda a resultante é que, com algumas modificações, se mantém, pois a sua reforma escassos anos depois foi feita através da introdução de uma nova linha avançada para oeste, com nova cava e desta feita abaluartada, compondo ambas um sistema com tanto de inexpugnável quanto de monumentalmente fantástico. O facto de ter resistido mal ao cerco de 1546, tornou evidente e urgente partir para uma solução diversa, atualizada. Desde 1538 o conjunto reformara‐se dentro daquilo que os portugueses estavam a fazer um pouco por todo o lado, mas com especial escopo experimental no Norte de África, procurando soluções para o surgimento e evolução célere da artilharia, a famosa passagem da neuro-à pirobalística. A resposta teria que ser segundo o que veio a ser designado por sistema abaluartado, caracterizado por estruturas avançadas de frente angular aguda e não circular. Como em Marrocos, os baluartes redondos e quadrados até então erguidos em Diu davam mau resultado. As obras gizadas por capitães e mestres‐pedreiros teriam de ser substituídas pelas de engenheiros militares, o que corresponde a uma complexa mudança de paradigma, aqui impossível de caracterizar, mas que foi sumariamente abordada no texto de enquadramento do início do volume. A ciência e tecnologia eram de base italiana, mas os portugueses foram precoces na sua posta em prática e desenvolvimento. Mazagão (1541) fora a primeira experiência, logo seguida de Ceuta (1541‐1544) e Diu (1547). Foi Francisco Pires - um desses mestres‐pedreiros de transição para engenheiro, com tirocínio nas realizações marroquinas, mais precisamente em Ceuta - quem conduziu as obras ordenadas em 1547 por João de Castro, que também tivera papel determinante naquele processo. É a este que passamos a palavra, transcrevendo parte do relato, com o seu quê de exagero (publicado por António Baião em 1923), que aquele vice‐rei enviou a D. João III: "As obras que fizerão sobre a fortaleza parecem mais que de humanas; porque o proprio capitão, e moradores della me não sabião dizer onde estavão os baluartes, e por onde corrião os muros, e o lugar, onde jazia a cava: tamanhas montanhas de pedra tinhão lansado em todas estas partes, de maneira, que parecia impossivel, e hum trabalho incomportavel poder tirar esta pedra e terra, e tornar a erguer a fortaleza polo luguar, por onde primeiro estava. Polo que me foi forçado fazella de novo per fõra da cava; assi porque se pudesse fazer neste verão, como por ser por esta parte mais forte; por caso de hus oiteiros altos, onde os baluartes caem. O que me dera muito trabalho, senão acertara de vir do reino Francisco Pires; porque não há official, que saiba nada. E por esta rezão me cumpre têllo que este verão, e não no mandar a Moçambique. A maneira de que faço a fortaleza he pollo debuxo de Ceyta. Parece‐me, que espantaraa muito a gente desta terra, mayormente depois que se fizer hua cava per fóra do muro novo; porque então ficaraa Dyo com duas cavas, e duas muralhas, remedeando se os muros velhos de maneira, que fiquem em terraplenos sobre a cava antigua." Diu seguiu, de facto, o modelo de Ceuta e para isso seria fundamental a abertura em 1550 do novo fosso por onde ainda hoje entra a água do mar ao canal. A nova linha defensiva surgiu na frente da primeira, com três possantes baluartes: o de São Nicolau ao meio, com dois, São Filipe e São Domingos (ou da Madre de Deus), nos extremos. Em Ceuta são apenas dois. Tudo porque havia urgência e para a renovação da linha anterior seria necessário desentulhar o que resultara do pesado cerco, o que foi sendo feito posteriormente. Por isso temos duas linhas e dois fossos paralelos, que são um relato explícito da extraordinária evolução da engenharia militar entre as fases arcaica e moderna da era da pirobalística. É uma situação tão insólita que levou o cuidadoso Gaspar Correia a publicar com as suas Lendas da Índia - finalizadas por volta de 1550 - um desenho que funde ambas as linhas numa, representando ainda todos os baluartes como redondos. Estivera em Diu antes, mas não poderia ter representado o que não vira ali, nem em parte alguma. Também por isso o não relata. Importava enviar uma imagem ao rei, que em 1546 expressamente o pedira para as principais fortalezas. O que hoje ali vemos tem, obviamente, um enorme conjunto de modificações introduzidas nos séculos seguintes, em especial em Seiscentos, período em que o sistema abaluartado, a par com a evolução da artilharia, sofreu um enorme desenvolvimento. Por isso em 1634 o vice‐rei Miguel de Noronha, 4.º conde de Linhares, enviou a Diu uma equipa de três inspetores, encarregues de elaborar um relatório sobre o que era necessário fazer‐se para tornar a fortaleza inexpugnável. O relatório - já publicado por Pedro Dias e que por certo serviu de base à descrição de Diu que António Bocarro fez na sua obra Livro das Plantas de todas... do ano seguinte - propôs de facto uma série de medidas, entre as quais a radical demolição de cento e trinta e sete casas e a remoção do outeiro situado entre o convento e o Baluarte de São Domingos, ações já suficientemente caracterizadas na entrada anterior e com as quais se formou a esplanada da fortaleza, que assim deixou de ter padrastos. Também propôs obras de monta no dispositivo já existente, de que destacamos, entre outras, precisamente a reforma, concluída em 1639, ao Baluarte de São Domingos, da qual resultou a sua possante configuração atual. Não sabemos com precisão a data da execução da Couraça Grande ou Baluarte da Barra - a generosa plataforma sobre a ponta da ilha - mas na sua Década XIII António Bocarro relata que foi da traça de António Pinto da Fonseca, provedor‐geral das fortificações da Índia, que por ali andou em meados da década de 1610, dando início ao processo de planificação da esplanada, matéria já referenciada na entrada antecedente. Aquele relatório de 1634 dá‐a como destruída, carecendo de rápida reparação, o que terá sido cumprido, pois a construção dos baluartes que a montante a defendem tem datas conhecidas: Santa Teresa sobre o canal em 1652, e Santa Luzia a meio, sobre a dita couraça, em 1650. Pelas décadas de 1630 a 1650, o apuramento do sistema estava ao rubro, porque ao rubro estava o potencial assédio mogol, do qual a fortaleza foi sempre o único e eficaz elemento dissuasor. As obras de reforma, manutenção e melhoramentos da fortaleza não parariam, nem os relatórios sobre a ruína, que dada a ainda opulência do existente, hoje se nos afiguram exagerados. Com efeito, o que ruiu, por vezes até ao desaparecimento, foram as construções civis e religiosas. Os baluartes, as cortinas, as couraças e as cavas continuam a postos, irradiando a memória do mais resistente e impressionante conjunto edificado português no Oriente.

Nuno Grancho

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