Hospital Dr. Carvalho

Hospital Dr. Carvalho

Díli, Díli, Timor

Equipamentos e infraestruturas

Projetado em 1892 pela Secção de Obras Públicas do Distrito de Timor, sendo governador Cipriano Forjaz (1890‐1894), o Hospital Civil e Militar Dr. Carvalho, cuja construção foi proposta ao Ministério da Marinha e Ultramar por Custódio de Borja, governador de Macau (1890‐1894), de quem o governo da Timor superiormente dependia, substituiu o Hospital Militar de Díli, erigido na década de 70 do século XIX, cujas precárias condições não permitiam uma eficaz prestação de cuidados de saúde à população.
Situado em Lahane, nos arredores da capital timorense, localidade eleita pelas favoráveis condições de salubridade, a construção do complexo hospitalar, que, além do edifício do hospital, compreendia residências para funcionários, seria iniciada no consulado do governador Celestino da Silva. Custeada pelos recursos da província, a ereção do hospital prolongar‐se‐ia por vários anos, sendo finalmente inaugurado em 1906. Inicialmente batizado como D. Carlos I, seria renomeado após a implantação da República, passando a designar‐se Hospital Dr. Carvalho, em homenagem ao médico Tomás de Carvalho, primeiro representante da Província de Macau e Timor na Câmara dos Deputados.
A sua traça é inspirada no modelo tipológico do sanatório pulmonar de montanha, muito divulgado na Europa do século XIX. Tem uma estrutura edificada de tipo pavilhonar, ocupando um pequeno planalto alinhado com as curvas de nível da encosta, para disposição de um corpo linear nivelado, a que corresponde a ocupação principal pelos serviços hospitalares, distribuindo por módulos autónomos, implantados em diferentes cotas, o dispositivo de funções auxiliares e de apoio aos serviços do hospital. O edifício hospitalar propriamente dito é organizado em linha, com galeria na fachada principal, interrompida pela massa do corpo central e rematada pelos corpos dos topos que funcionam como remate do edifício, resultando uma composição de desenho simétrico, com eixo acentuado por um pequeno frontão curvo.
O hospital de Lahane, o único de Timor até meados dos anos 1930, altura em que se iniciou a construção de uma nova unidade hospitalar em Liquiçá, foi sucessivamente apetrechado com novas valências. Em 1920 foi ali instalada uma escola de enfermagem e, na década seguinte, seria erigida uma unidade para isolamento de pacientes com tuberculose.
Na sequência da invasão japonesa de Timor, em 1942, o hospital seria utilizado pelas forças ocupantes, que ali se instalaram, sendo expulsos dois anos mais tarde pelas tropas aliadas, na sequência de um bombardeamento que não deixaria incólume o edifício. Restaurado no pós‐guerra, foram então introduzidos melhoramentos vários. É erigida uma maternidade, anexa ao edifício principal, e criam‐se as unidades de cirurgia, enfermaria pediátrica e laboratório clínico.
Na sequência desta intervenção, a traça original do hospital foi eliminada, tendo sido retirado o frontão curvo, anulando‐se o carácter simétrico do edifício e transformando‐se a galeria em cursiva ao longo de toda a fachada. Foram, assim, suprimidos todos os traços de gramática mais latina da composição original, aproximando‐a de um novo padrão do tipo colonial de origem inglesa, segundo modelos recorrentemente usados por aquela potência, designadamente na Índia e na Austrália.

Edmundo Alves

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