Chafarizes

Chafarizes

Ouro Preto, Vila Rica, Minas Gerais, Brasil

Equipamentos e infraestruturas

Dos dezoito chafarizes existentes em Ouro Preto, seis foram classificados pelo IPHAN em 1950. A iniciativa da construção desses equipamentos partiu do Senado da Câmara. Alguns de seus construtores trabalharam também nas obras das pontes da cidade, como foi o caso do mestre António da Silva Herdeiro, que arrematou vários contratos. Na segunda metade do século XIX e no início do século XX foram realizados consertos em quase todos os chafarizes de Ouro Preto, e depois da classificação, novas obras de restauro foram conduzidas pelo IPHAN. O Chafariz dos Contos era originalmente chamado Chafariz de São José; a denominação atual surgiu após a construção da Casa dos Contos, que lhe é vizinha. A obra teria sido arrematada em abril de 1745 por João Domingues da Veiga; a fonte traz a inscrição "1760", que se refere provavelmente ao ano de sua conclusão. No entanto, já foi levantada a hipótese de que esta não seja a mesma construção arrematada em 1745, pois há um documento de 1786 que menciona a transferência do "chafariz do largo da ponte de São José" para a Rua das Flores. O detalhe mais interessante é a composição em volutas, curvas e contracurvas, com uma grande concha ao centro, de onde saem as duas bicas. Como o nome indica, o Chafariz do Passo de António Dias situa‐se em frente ao oratório homónimo, na antiga Rua Direita daquela freguesia. Segundo a tradição, é um dos mais antigos de Ouro Preto, sendo certamente anterior a 1752. É constituído por um frontispício de alvenaria, ladeado de molduras de pedra, e tendo no centro uma composição de cantaria com concha e três carrancas com suas respectivas bicas. O Chafariz da Glória situa‐se na Rua António de Albuquerque, antiga Rua da Glória, na freguesia do Pilar de Ouro Preto. As obras foram contratadas com António Fernandes Barros e António da Silva Herdeiro, obedecendo basicamente ao mesmo risco utilizado na construção da Fonte do Passo de António Dias. Num quadro sobre a cimalha, encontra‐se uma inscrição latina, em grande parte mutilada, e num painel a data de 1753. O nome do Chafariz de Marília, situado defronte à Ponte de António Dias, deve‐se à sua proximidade da casa em que residiu Maria Doroteia Joaquina de Seixas, a "Marília de Dirceu" dos poemas líricos de Tomás António Gonzaga. A obra foi arrematada em dezembro de 1758 por Manuel Francisco Lisboa. No corpo central, destacam‐se a grande cartela barroca em cantaria, com quatro carrancas, e o coroamento com volutas cobertas por acantos. A obra do pequeno Chafariz do Alto das Cabeças foi contratada em 1763, com Francisco de Lima Cerqueira. O detalhe interessante desta fonte são os dois peixes entrecruzados, esculpidos em pedra‐sabão, de onde saem as bicas. O Chafariz do Alto da Cruz foi arrematado em dezembro de 1757 por Henrique Gomes de Brito, mas já se levantou a hipótese da participação de Manuel Francisco Lisboa, e também do Aleijadinho, que seria o autor do busto feminino do coroamento, que traz a inscrição "1761".

Cláudia Damasceno Fonseca

Loading…