Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazaré (Cachoeira do Campo)

Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazaré (Cachoeira do Campo)

Ouro Preto, Vila Rica, Minas Gerais, Brasil

Arquitetura religiosa

A localidade de Cachoeira do Campo é uma das mais antigas de Minas. A igreja atual foi erguida na primeira metade do século XVIII, em alvenaria de pedra, com guarnições dos vãos em cantaria. A planta é retangular, com nave, capela‐mor, sacristia e cómodos nas laterais. A fachada original foi modificada em 1849; o frontão em curvas e contracurvas possui óculo cruciforme e é encimado por cruz; as duas torres sineiras têm secção quadrada, e a portada apresenta verga em arco abatido. O acesso ao coro se faz através de escada externa, em pedra. A capela do Santíssimo, na lateral esquerda, foi acrescentada na segunda metade do século XIX. Internamente, destaca‐se o belo conjunto de retábulos, sobre os quais não há muitas informações. Sabe‐se que o entalhador Manoel Ferreira de Matos foi contratado em 1726 pela Irmandade do Santíssimo Sacramento, provavelmente para a feitura do altar‐mor, que é o que mais corresponde estilisticamente ao período, com ornamentação profusa com motivos fitomorfos e antropomorfos. O arco‐cruzeiro apresenta talha nos mesmos padrões estilísticos dos retábulos. O forro da capela‐mor, abobadado, possui pintura decorativa (Coroação da Virgem) executada pelo português António Rodrigues Belo, que também é o autor dos oito painéis da capela-mor com representações dos Evangelistas, da infância de Jesus, além de motivos vegetalistas, que datam de 1755. Os forros da nave e da sacristia também apresentam pinturas da primeira metade do século XVIII. Os púlpitos são em madeira policromada, datando do final do século XVIII ou início do XIX. Toda esta riqueza artística explica o facto de esta igreja ter sido classificada ainda na década de 1940, enquanto que a salvaguarda das matrizes dos outros distritos de Ouro Preto é bem mais recente.

Cláudia Damasceno Fonseca

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