Igreja de Santa Efigénia e de Nossa Senhora do Rosário do Alto da Cruz

Igreja de Santa Efigénia e de Nossa Senhora do Rosário do Alto da Cruz

Ouro Preto, Vila Rica, Minas Gerais, Brasil

Arquitetura religiosa

A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos da freguesia de António Dias foi ereta na matriz em 1717, mudando‐se, em seguida, para uma ermida no Alto da Cruz do Padre Faria. Esta, segundo a tradição, havia sido anteriormente dedicada a Santa Efigénia, e por este motivo a igreja conservou as duas invocações. As obras do templo definitivo foram arrematadas no ano de 1733 por António Coelho da Fonseca, e prolongaram‐se pelo menos até 1785 (data inscrita junto à cruz do frontão). O português Manuel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho, foi encarregado de diversas vistorias na obra, além de ter sido um dos principais fornecedores de madeira. Também já se atribuiu a este mestre a autoria do risco, devido às semelhanças identificadas com o projeto da Matriz de Caeté. A planta, retangular, é mais elegante que a das igrejas anteriormente construídas na região: não havendo corredores laterais à nave, os volumes das torres se destacam do corpo do edifício. Segundo Myriam R. de Oliveira, esta parece ter sido a primeira igreja mineira "a tirar partido efetivo das novas possibilidades construtivas permitidas pelo uso de alvenarias de pedra", apresentando diversas inovações: o ligeiro recuo das torres em relação ao frontispício, os ângulos de junção arredondados, o coroamento em forma de bulbo, a cornija semi‐circular acima do óculo (detalhe de grande importância na evolução da arquitetura religiosa mineira) e a decoração da portada, composta por nicho com imagem de Nossa Senhora do Rosário. Entre 1762 e 1767, os pedreiros Henrique Gomes de Brito e João da Rocha concluíram a obra de cobertura do edifício. A ornamentação interna foi executada a partir de 1747, por Francisco Branco de Barros (risco e administração da obra de altares), Francisco Xavier de Brito e Manuel Gomes da Rocha (estatuária), Felipe Vieira (forro da capela‐mor e obras de talha), Jerónimo Félix Teixeira (talha). A fachada e a escadaria foram realizadas entre os anos de 1777 e 1785. No decorrer do século XIX, a igreja passou por diversas reformas, algumas delas descaracterizantes, como a de 1894‐1896, que incluiu a repintura (com tinta a óleo branca) dos painéis laterais da capela‐mor, bem como dos altares, púlpitos e forro da nave. Na década de 1960, esses elementos foram parcialmente restaurados pelo IPHAN.

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