Capela de São João Batista

Capela de São João Batista

Ouro Preto, Vila Rica, Minas Gerais, Brasil

Arquitetura religiosa

Segundo a tradição, trata‐se do mais antigo templo da cidade. A ermida primitiva teria sido erguida nos idos de 1698, nas alturas da Serra do Ouro Preto, pelos integrantes das bandeiras de António Dias, e nela o padre Faria celebrou os ofícios durante alguns anos. Em torno desta capela se formou o primeiro "arraial dos paulistas", que foi incendiado durante a revolta de 1720. O edifício foi inteiramente reformado (ou reconstruído) por volta de 1743, quando o minerador padre Gabriel Mascarenhas doou terrenos para constituir o património religioso. Sabe‐se ainda que, em 1761, foram reedificadas as paredes da sacristia, por ordem do padre visitador José dos Santos, emissário do bispo de Mariana. A planta, bastante peculiar, apresenta corpo da nave distinto do da capela‐mor, e paredes curvas na junção dos dois; a sacristia, em forma de "puxado", anexo à nave, lembra, segundo Wladimir A. de Souza, as capelas rurais do Norte de Portugal. Como várias outras ermidas ouro‐pretanas desta fase inicial, a construção é em alvenaria de cascalho grosseiro misturado à "canga" (minério de ferro esponjoso extraído nas montanhas circundantes). Possui adro cercado por muro, e uma fachada extremamente simples, característica do período, apresentando porta central única e duas janelas no nível do coro, com ombreiras e vergas retas em madeira, e um frontão triangular com acabamento em beira‐seveira, encimado por cruz; no prolongamento dos cunhais, dois coruchéus de pedra. O detalhe original fica por conta da sineira baixa e tosca, apoiada no cunhal esquerdo. O interior é totalmente despojado, não havendo obra significativa de talha. A pintura na base do retábulo representa os doze apóstolos, e foi atribuída pelo historiador Diogo de Vasconcelos ao mesmo artista (anónimo) que trabalhou na Capela de Pompeu (município de Sabará). Na segunda metade do século XIX, a capela passou por diversas reformas. Foi classificada pelo IPHAN em 1939, e restaurada sob seus auspícios na década de 1950.

Cláudia Damasceno Fonseca

Loading…