Solar do Gravatá ou Solar Oliveira Mendes

Solar do Gravatá ou Solar Oliveira Mendes

Salvador, Bahia, Brasil

Habitação

Na base da encosta que dá para a antiga Rua da Vala, frente à Praça dos Veteranos, onde é vizinho de belos sobrados e de um insólito Corpo de Bombeiros, está o solar. Um dos mais interessantes de Salvador. Foi erguido em 1733 por Felipe de Oliveira Mendes, famoso oficial construtor que trabalhou nas igrejas de Santana e da Misericórdia. Em 1754 pertencia a seu filho Manuel, medidor da Câmara, servindo de fiança na arrematação de obras. No ano de 1800 estava na posse de Francisco Gonçalves Junqueira, marido de uma neta do construtor. Passou em 1808 a seu filho, que viria a ser barão de Jacuípe, e depois a D. Maria de Oliveira Junqueira, casada com o conselheiro João José de Oliveira Junqueira, futuro presidente das Províncias do Piauí, Rio Grande do Norte e Pernambuco e Minis‐ tro da Guerra em dois períodos. O solar esteve na família até 1938, quando foi classificado pelo IPHAN. Res‐ taurado, abriga a Casa de Angola desde 1999. Solar urbano implantado em terreno de encosta, levando à adoção de um partido escalonado (com entre‐piso e jardim em níveis) pouco comum na arquitetura baiana. A edificação desenvolve‐se em dois pavimentos além do entre‐piso e sótão recuado. A utilização do entre‐piso para alojamento de serviçais e colocação de salões forrados no sótão, para uso da família, é única e subverte totalmente o padrão tradicional de uso dos espaços. No jardim, dois níveis separados por grades abrigavam a cavalariça e a senzala e banheiros. No pavimento nobre a circulação era feita em torno da escada e a fachada não apresentava simetria, duas outras características raras na época. Destacam‐se os azulejos em relevo no saguão e a portada em pestana, que lembra os portais do Norte de Portugal.

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