Solar do Sodré

Solar do Sodré

Salvador, Bahia, Brasil

Habitação

Desce pela encosta uma ladeira, feita de sobrados que lhe definem o rumo, e as curvas que faz em busca do mar. Aí, onde a luz dourada do pôr‐do‐sol se mistura com o som das avé‐marias de Santa Tereza, está o Solar do Sodré. O nome veio do mestre‐de‐campo Jerónimo Sodré Pereira, que o terá construído no início do século XVIII. Senhor de capitais, casou com uma Aragão de tradicional família baiana. Mas a fortuna é fugaz e em 1713 o solar foi hipotecado para pagar dívidas com a Santa Casa. Após 1742 é vendido por duas vezes, antes de chegar às mãos do doutor António José Alves, pai do poeta Castro Alves. Em 1871, o poeta morre no solar, mas de alguma forma a vocação cultural permanece. Desde o início do século XX funcionaram aí os colégios Alemão, Piedade, Florêncio, Antônio Vieira e Ipiranga, e em 1938 foi classificado pelo IPHAN. Solar urbano do início do século XVIII, com três pavimentos e sótão, assentado em declive e entalado entre vizinhos. A planta retangular desenvolve‐se a partir de um saguão de acesso, solução muito comum na época. Segundo o inventário do pai de Castro Alves, o imóvel tinha 97 palmos de frente e devia incorporar o prédio vizinho, desmembrado do conjunto em finais do século XIX, assim como o longo anexo neoclássico. Destacam‐se a portada e molduras em pedra, os balcões com grades da primeira metade do século XIX e as aberturas na empena do sótão, embora ainda não configurem uma casa de oitão.

Ana Maria Lacerda

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