Solar Ferrão

Solar Ferrão

Salvador, Bahia, Brasil

Habitação

Equilibrado na borda da encosta que desce para a antiga Rua da Vala, o solar, de ampla fachada onde se divisam duas portadas independentes, contrasta com o casario do Bairro do Maciel, classificado como monumento nacional pelo IPHAN e como património da humanidade pela UNESCO. Duas portadas e duas datas (1690/1701) são, provavelmente, períodos de construção. Jaboatão relata, em sua crónica, ter‐se realizado em 1730 um casamento na capela da casa, pertencente ao coronel José Sotero Maciel. Os jesuítas instalaram ai, em 1756, o Seminário de Nossa Senhora da Conceição, que funcionou por dois anos apenas. Entre 1793 e 1827, foi de Pedro Gomes Ferrão Castelo Branco, intelectual, criador da Biblioteca Pública, de quem tomou o nome. Vendido em 1827, o solar teve diversos donos e em 1855, José Freitas Paranhos o deixou em herança ao filho, o barão da Palma. Com a falência do barão em 1890, passou à Sociedade de Comércio, e depois ao Centro Operário da Bahia. Foi classificado em 1938 pelo IPHAN e, em 1978, comprado pelo IPAC para ins‐ talar sua sede e o Museu Abelardo Rodrigues. Solar urbano cujo partido foi muito alterado. A implantação na encosta deu‐lhe seis andares no fundo e apenas três na frente. É possível que sua dimensão resulte da junção de três imóveis, verificada nas duas portadas independentes, na falta de simetria da fachada e na diferença de alturas entre os dois corpos da construção. Destacam‐se os forros em painéis do pavimento nobre; a portada de 1701 cujo coroamento em volutas emoldura o brasão dos Maciel; a portada de 1690, atribuída a Gabriel Ribeiro, autor da fachada dos Terceiros de São Francisco e a escadaria em mármore português, terminada em arcaria sustentada por colunas torsas.

Ana Maria Lacerda

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