Casa dos Sete Candeeiros

Casa dos Sete Candeeiros

Salvador, Bahia, Brasil

Habitação

Muitas casas nobres procuraram lugares altos, de defesa e de vigia, instalando‐se por vezes sobre estruturas anteriores. Esta não foi exceção. Assentou‐se no século XVII sobre antigo baluarte da muralha de Salvador, a cavaleiro da Rua da Vala, mirando de frente a encosta da Palma. Pertenceu aos jesuítas até sua expulsão em 1759, quando foi leiloada e arrematada pelo armador capitão António Elias da Fonseca Galvão. Esse, recebendo título de nobreza em 1768, mandou entalhar em lioz o seu brasão e colocou‐o sobre a portada. Ainda no século XVIII, pertenceu ao advogado António Correia Ximenes, de quem tomaram o nome a casa e o beco. Com a chegada de D. João VI, aí se hospedaram os marqueses de Alegrete, Redonda e Belmonte, que integravam a comitiva do príncipe. Diz‐se que o nome Casa dos Sete Candeeiros teve origem nessa época, devido aos sete lampiões de azeite que eram pendurados para iluminar o beco. Em meados do século XIX, morou aí o desembargador Cândido Leão, e em 1888 passou à Santa Casa. Foi classificada em 1938 e comprada em 1951 para instalar a sede do IPHAN. O imóvel do século XVII é uma casa nobre brasonada, com dois pavimentos e sótão. Segue o modelo da casa abastada, com cobertura em quatro águas e acesso através de portada e saguão monumental. O partido de corredor central é mantido nos três pavimentos, situação muito rara em casas do século XVII. Destacam‐se o pátio externo, provável remanescente do antigo baluarte, a portada renascentista brasonada, as modenaturas e bacias em arenito, a capela com urupema, para que as moças da casa assistissem missa sem serem vistas, os tetos e portas com guarnições de madeira lavrada e um silhar de azulejos, que Bazin considera modelo vulgar do último terço do século XVII.

Ana Maria Lacerda

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