Igreja da Ordem Terceira da Beata Maria Virgem de Nossa Senhora da Conceição dos Irmãos Pardos (Boqueirão)

Igreja da Ordem Terceira da Beata Maria Virgem de Nossa Senhora da Conceição dos Irmãos Pardos (Boqueirão)

Salvador, Bahia, Brasil

Arquitetura religiosa

Vale sombreado e estreito, a Rua dos Adobes foi, no período colonial, morada de artesãos, homens de ofícios pardos e pretos. No seu cenário, há uma heterogeneidade de edificações térreas, sobrados estreitos, platibandas graciosamente ornadas. De repente, a claridade. No alto alarga‐se a Ladeira do Boqueirão, flanqueada de imensos sobrados do século XIX, e em antiga trincheira da cidade ergue‐se a Igreja da Ordem Terceira da Beata Maria Virgem de Nossa Senhora da Conceição dos Irmãos Pardos do Boqueirão.
Sua imagem é um convite. Ergue‐se o frontispício entre duas torres caprichosamente coroadas por minuciosos coruchéus, em proporção e formas concebidas na linguagem rococó. A ordem monumental do seu enquadramento tríptico marca a composição. O dinamismo de sua fachada não é realizado em paredes curvas, mas na forma de suas três portas e na sinuosa linha saliente do emolduramento de suas janelas quíntuplas, onde o vidro reticulado executa a sua função de refletir e deixar passar a luz filtrada para o seu interior.
A construção da capela é o resultado do trabalho, obstinação e iniciativa de pardos reunidos em confraria. Em data desconhecida, foi criada a irmandade na Igreja de Santo António Além‐do‐Carmo. No dia 8 de agosto de 1726, os irmãos receberam o terreno para a construção da capela, doado pela Câmara. Em 1758 já estava o templo com paredes erguidas, frontão triangular no perfil da cidade de José António Caldas. Em 1773 o mestre‐de‐obras da Câmara, Manuel Oliveira Mendes, executou medição nas antigas trincheiras onde conferiu a capela edificada. No interior, o plano em corredores laterais promove a circulação às torres, aos púlpitos, à nave, à capela‐mor, à sacristia enjanelada de azul, e possibilita o acesso à parte superior onde havia a Casa da Mesa. A sua talha é do século XIX e remonta à arte de Joaquim Francisco de Matos, António de Souza Santa Rosa e Joaquim Pereira dos Passos. A pintura ilusionista do forro leva à Virgem, ao milagre do eterno.
Com o tempo, os laços entre os irmãos foram progressivamente se desfazendo, e a irmandade hoje não existe mais. Entretanto, suas ligações com a Matriz de Santo António Além‐do‐Carmo persistem, em organização canónica, em profissões de fé, e relacionada pelo Programa Monumenta, do Governo Federal, traduz a consciência e uma história que não pode ser apagada.

Socorro Targino Martinez

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