Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

Salvador, Bahia, Brasil

Arquitetura religiosa

A Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos coloca‐se entre casas, na antiga Rua das Portas do Carmo, que servia de defesa norte da cidade, entre aclives e declives, em espaço que se alarga e sacraliza com telhados e cruzeiros que conduzem a horizontes diversos de norte e sul, com torres brilhantes que navegam em águas estanques de luz e cor a sinalizar uma história de suplício e escravidão, e uma tentativa de convivência social através da fé, da associação entre irmãos. Composição arrojada, obedece ao plano das igrejas de irmandades. Pequeno adro marca e protege a fachada. Em decoração minuciosa, sua disposição tripla em corpos e múltiplas envazaduras, em recortes côncavos, convexos, revela erudição e beleza. O oratório lateral proporciona ao fiel a prece e a vela que lhe iluminarão o dia. A sua história remonta ao século XVII, quando foi criada em 1685, na antiga Sé. Em 1704, é autorizada a sua edificação, e em 1710 atos religiosos já acontecem em seu espaço. No ano de 1718 abriga a Matriz do Santíssimo Sacramento do Passo, que tenta apossar‐se do edifício, cuja construção se deve ao mestre Caetano José da Costa. Em 1796, sua forma impunha e marcava o lugar com corredores laterais superpostos de tribunas que levam ao Coro, à Casa da Mesa, do Tesouro e às instalações de serviços, tais como secretaria e outras. Entretanto, o interior só foi terminado no século XIX, com requintes de talha neoclássica, pintura e azulejos, para abrigar as devoções marcantes da etnia, como a Virgem do Rosário, Santo Antônio de Catagerona e São Benedito. Sua persistência como Irmandade, em tempo e lugar, regista uma história de união, desafios, conquistas e busca por uma liberdade que não podia ser encontrada na sociedade, mas que poderia ser alcançada através de uma fé resguardada em símbolos que, a princípio, não eram seus. Esta consciência reforça‐se a cada ano, na manifestação do cortejo do 2 de julho, quando os irmãos, em hábitos vestidos, repicam seus sinos e com flores e folhagens amarelas e verdes homenageiam os caboclos, reafirmando que a liberdade deve ser uma busca e um ideal eternos.

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