Conjunto de Trancoso

Conjunto de Trancoso

Porto Seguro, Bahia, Brasil

Habitação

Estão preservadas no litoral sul da Bahia tipologias de assentamento dos primeiros séculos, quando a escolha dos sítios era determinada principalmente por razões de defesa e de acessibilidade. Assim, era regra que a implantação do núcleo se fizesse junto à foz de rios e em locais elevados, de onde se descortinasse o território muitas léguas em redor. A segurança dos povoadores dependia também da pacificação dos indígenas, por isso juntou‐se ao critério de localização o modelo de ocupação conhecido como aldeamento, do qual os jesuítas foram os principais promotores. Uma aldeia era organizada a partir de um amplo terreiro retangular, rodeado por pequenas casas isoladas e tendo em uma das cabeceiras a igreja, frente à qual se instalava o cruzeiro. O partido, no que pese a simplicidade, adequada aos poucos recursos da comunidade local, tinha características funcionais inatas, que garantiram o sucesso da empresa. A amplitude do terreiro reproduzia os espaços das tabas indígenas, inclusive na disposição das casas - próximas, mas não coladas como era padrão nos assentamentos do colonizador -, facilitando a identificação com a aldeia. Aí eram também realizadas as procissões e autos que, mais uma vez, reproduziam comportamentos sociais reconhecíveis e caros aos indígenas. Por último, a localização da igreja, frente ao terreiro, para o qual todas as casas se voltavam, permitia o controle sobre a vida e as ações da pequena comunidade. Ao longo dos séculos, durante e após a expulsão dos jesuítas, vários desses aldeamentos se tornaram vilas, recebendo novos equipamentos e símbolos de poder e, salvo raras exceções, perdendo o traçado original que identificava a sua génesis. Trancoso é uma dessas raras exceções.

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