Igreja Matriz de Santo António

Igreja Matriz de Santo António

Jacobina, Bahia, Brasil

Arquitetura religiosa

A praça do núcleo primitivo da cidade é rodeada por pequenas casas e sobrados do século XIX, tendo no fundo a Igreja Matriz, emoldurada pela serra, e frente a ela, no outro extremo, o leito do Rio do Ouro. A freguesia de Jacobina Velha foi criada em 1683 pelo segundo arcebispo da Bahia, Frei João da Madre de Deus. Disputas entre as duas famílias mais poderosas da época, os Guedes de Brito e os Garcia d’Ávila, levam ao desmembramento da antiga freguesia, sendo a nova criada em 1758, no sítio atual, dentro das terras dos Guedes de Brito. Como as outras igrejas da cidade, a Matriz teria originalmente alpendres laterais. Contam os moradores que, em 1922, as intervenções transformaram sacristias em coros baixos, fechados pelas antigas grades; acresceram uma sacristia transversal, fecharam os alpendres, rasgaram em arcos a parede divisória e transferiram os antigos altares para as novas naves. Como resultado, atualmente a Matriz apresenta partido em três naves definidas por arcadas, capela‐mor ladeada por coros baixos, e sacristia transversal. A fachada foi também modificada, à semelhança da Igreja da Conceição. Perdeu em meados do século XX o frontão barroco, substituído pelo atual coroamento triangular, e teve construída, em 1967, a torre direita de menor altura e terminação piramidal, obliterando os vestígios arqueológicos da casa de São Benedito. Na base das torres estão colocadas uma capela e a pia batismal. O frontispício tripartido tem portada única, com verga em arco abatido coroada por friso em pestana, típico da segunda metade do século XVIII, época de construção da igreja. Internamente, conservaram‐se altares com trabalho de talha do segundo e terceiro período evolutivo, na classificação de Lúcio Costa.

Ana Maria Lacerda

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