Vila Flor

Lat: -6.313926575890900, Long: -35.076956401740000

Vila Flor

Rio Grande do Norte, Brasil

Enquadramento Histórico e Urbanismo

A notícia mais antiga da presença portuguesa na região da cidade de Vila Flor é de 1604, quando o capitão-mor Jerónimo de Albuquerque concede uma sesmaria ali para seus filhos. O povoamento efetivo só se dará, porém, a partir de um alvará régio, de 23 de setembro de 1700, que doava aos padres carmelitas uma légua em quadra, seis mil metros quadrados, próxima da barra do Rio Cunhaú, para ali implantarem um aldeamento com cem casais de nativos da região. Este alvará é a origem da aldeia de Gramació, administrada por um missionário do Carmo da Reforma e que iria se somar às missões de jesuítas (Arez) e de capuchos (São José do Mipibu) já existentes no Rio Grande do Norte, na tarefa de criar pontos de povoação ao longo do litoral leste da capitania. A agricultura e a pesca foram as principais atividades do aldeamento. Com a expulsão dos religiosos das aldeias missio‐ neiras do Brasil, Gramació foi elevada à categoria de vila em 1768, por D. Miguel Carlos Caldeira de Pina Castelo Branco, e passa a denominar‐se Vila Flor, de acordo com as diretrizes pombalinas para que as novas vilas brasileiras adotassem os nomes das portuguesas. A região tinha importância para a coroa, pois as salinas de Cunhaú eram exploradas desde o século XVII. Esse papel estratégico que a nova vila iria assumir explica a imponência com que foi construída a Casa de Câmara e Cadeia. No século XIX, as salinas de Cunhaú são suplantadas por Macau e Mamanguape, o que ocasionará a decadência de Vila Flor, que perderá inclusive o papel de sede do município. Quem hoje percorre a vasta praça de Vila Flor tem uma ideia muito aproximada de como eram os aldeamentos missioneiros na América Portuguesa. A igreja no canto de um dos lados da praça, o casario de porta e janela, absolutamente singelo, e o enorme coqueiral emoldurando a paisagem formam um quadro que remete à iconografia das antigas aldeias. Curiosamente, o atual espaço não corresponde ao primitivo aldeamento de Gramació. Investigação arqueológica realizada no final dos anos 1980 permitiu identificar o espaço da aldeia, circunscrito a uma fração da atual praça, tendo a igreja como eixo de simetria das duas fileiras de casas indígenas. A Casa de Câmara e Cadeia, hoje dentro da praça, foi construída fora da aldeia primitiva, o que deve ter induzido, junto com o abandono a que ficou relegada a região nos séculos XIX e XX, a configuração atual do espaço urbano de Vila Flor.

José Simões Belmont Pessôa

Equipamentos e infraestruturas

Arquitetura religiosa

Habitação

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